Candidato do PSOL começa debate com provocação: ‘Lula preso e Temer solto’

O debate da Band, o primeiro da campanha eleitoral de 2018, nesta quinta-feira (9), começou com o tema emprego. Os candidatos foram questionados sobre que que medida adotará para enfrentar o problema, num país que “tem hoje tem 13 milhões de desempregados”, segundo a Band.

Antes de responder a questão, Guilherme Boulos (Psol) declarou: “Boa noite ao ex-presidente Lula, que deveria estar aqui mas está preso em Curitiba, enquanto Temer está solto”.

O candidato afirmou que sua primeira medida será revogar as medidas antissociais de Michel Temer, cotando a reforma trabalhista e a tentativa de fazer a reforma da previdência, além da Emenda Constitucional EC 95, que corta investimentos por 20 anos. “Nenhum país nunca saiu da crise sem investimento”, disse. “Vamos ter que mexer nos privilégios. Trabalhador e classe média são quem sustenta o Brasil.”

No confronto direto, Ciro Gomes (PDT) questionou Geraldo Alckmin (PSDB) sobre o fato de seu partido ter apoiado a reforma trabalhista e quis saber se seu governo a manteria. O tucano se disse “favorável”. “Foi um avanço do Brasil e do mundo inteiro. Permite produzir mais com menos gente.” Segundo ele, a reforma eliminou “um grande cartório, 17 mil sindicatos no Brasil”, referindo-se aos sindicatos.

Segundo Ciro, a reforma trabalhista “introduziu medo do futuro”. “Essa selvageria nunca fez país do mundo prosperar”, afirmou o pedetista. Já o tucano garantiu que a  reforma vai estimular mais emprego e  modernizar as relações de trabalho. O pedetista se comprometeu a criar no primeiro ano de governo 2 milhões de empregos e “consertando os motores do desenvolvimento”. Ele ainda afirmou que pretende tirar dos serviços de proteção ao crédito 63 milhões de pessoas. Ele disse que vai “consertar” as contas públicas retomando as obras paralisadas, e incentivar uma nova política de comércio exterior.

Segundo Alckmin, a questão do emprego é “central”. Ele ensinou que para ter emprego “precisa ter investimento”. Declarou que pretende colocar o Brasil na Aliança do Pacífico e “reduzir o custo Brasil”.

Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede) e Cabo Daciolo (Patriota) inciaram agradecendo a deus.

Marina agradece a Deus e afirma que para ter emprego pé preciso ter investimento , credibilidade, e para isso é preciso ter mudança profunda no país. Tenho compromisso de fazer o Brasil voltar a crescer.

Num momento de “fogo amigo”, Marina acusou Alckmin de fazer acordo com o “centrão, que é a base de Temer e responsável pelas mazelas do povo. Isso é fazer mudança?”, questionou. Alckmin respondeu dizendo que o Brasil tem um quadro “multipartidário”. “Construímos uma aliança com partidos do centro para aprovar no começo do ano as reforma que o Brasil precisa: precisa ter maioria para votar essas reformas”, disse o tucano.

Segundo bloco

Após o segundo bloco, pesquisa em tempo real mostrou que Guilherme Boulos superou Bolsonaro como o candidato que despertou o maior interesse dos telespectadores. Jornalistas perguntaram aos candidatos sobre como investir num país que passa por uma situação de grave déficit fiscal. Boulos disse que o problema do Brasil não é falta de dinheiro. “O Dinheiro está profundamente mal distribuído.”

Ele se comprometeu a enfrentar “o bolsa banqueiro, o bolsa-empresário e fazer uma reforma tributária progressiva”. Segundo o candidato do Psol, é inaceitável que os bancos Bradesco e Itaú paguem menos impostos que o cidadão brasileiro.

Sobre aborto, Boulos afirmou que “ninguém é a favor do aborto”. “Defendemos o direito de as mulheres decidirem. Mulheres pobres e negras não fazem aborto em condições adequadas como as mulheres ricas.” Ele defendeu que o aborto deve ser tema de saúde pública implementada pelo SUS. “As mulheres têm direito de decidir sobre o assunto muito mais do que os homens”, declarou.

Marina disse que o tema aborto tem natureza “bastante e difícil e complexa”. “O que queremos é que nenhuma mulher tenha que fazer aborto.” Para isso, ela defendeu o planejamento familiar, além de um plebiscito.

Ciro e Alckmin foram colocados em confronto sobre a questão da Previdência e, novamente, a trabalhista. “Vou propor uma nova reforma trabalhista que corrija as injustiças da que foi feita (por Temer)”, afirmou Ciro. Segundo ele, a reforma, como foi feita, “é uma selvageria”. Para ele, a Previdência precisa passar por uma transição. Alckmin voltou a defender a reforma trabalhista de Temer.

Sobre déficit fiscal, Marina criticou a Emenda Constitucional 95, que congela gastos públicos por 20 anos. “Queremos que nosso país tenha recursos para investir corretamente.” A candidata da Rede disse que pretende enfrentar a questão fiscal, “mas  não vamos fazer isso como está sendo feito , de forma insensível, pelo atual governo”. E acrescentou: “É necessário, sim, reforma a reforma da Previdência”, argumentou Marina. Já Henrique Meirelles defendeu “baixar os juros e a inflação, como fizemos”.

Na questão segurança pública, Alckmin e Bolsonaro foram questionados sobre violência e como reduzir o poder das facções criminosas. “Vamos enfrentar duramente o crime organizado, principalmente nas fronteiras”, disse o tucano. Já Bolsonaro afirmou que o “cidadão de bem foi desarmado e o bandido continua muito bem armado” e propôs que o brasileiro possa comprar arma de fogo para sua legítima defesa.

Os candidatos Álvaro Dias e Meirelles foram questionados sobre a crise humanitária da Venezuela. Segundo Dias, o problema decorre da “perversidade de uma ditadura sanguinária (de Nicolás Maduro)”,  que expulsa os venezuelanos de seu país. Segundo Meirelles, a Venezuela “precisa de ajuda e os venezuelanos têm de ser bem acolhidos”.

Metrópole

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