Seis meses após assassinato de Marielle Franco, caso será discutido na ONU

“O caso segue sob sigilo.” Nos últimos seis meses, as autoridades públicas fluminenses repetiram essa frase um sem-número de vezes para justificar a ausência de informações na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela Anderson Gomes, no centro do Rio de Janeiro. Hoje, a execução completa seis meses e, até agora, ninguém foi responsabilizado pelos 13 tiros.

Na próxima semana, o caso será tema de debate no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça. A viúva de Marielle, a arquiteta Mônica Benício, participará de uma comitiva formada por integrantes de ONGs para denunciar a demora nas investigações.

“A dor é, de certa forma, um combustível para poder se manter na luta. É motivador ver pessoas que falam que nossa luta está inspirando, que Marielle continua sendo um símbolo de esperança. É sempre “estamos trabalhando”, “estamos andando”, mas não tem consistência (a investigação)”, lamenta Mônica. Aterrorizante e inaceitável é como o advogado João Tancredo, que representa as famílias de Marielle e Anderson, classifica a apuração. “É preciso que se jogue luz sobre a investigação. Sem transparência, não temos a mínima ideia dos caminhos dos investigadores. Até o momento, só se sabe qual foi o armamento utilizado para matá-los: uma submetralhadora HK MP5, da qual existem poucos exemplares no Brasil e cujo uso é exclusivo das mais altas forças de segurança”, critica.

Apesar de cinco suspeitos terem sido presos, João defende apurações mais amplas. “As suspeitas divulgadas sobre a autoria de milicianos me parecem infundadas — Marielle não tinha confronto com eles — e podem ter levado a investigação para um labirinto sem saída. É preciso ampliar o leque das investigações. Assim, ao menos, se eliminariam possibilidades”, emenda.

Uma petição que cobra celeridade na apuração conta com 165 mil assinaturas, sendo 97 mil, de brasileiros. Ao todo, pessoas de quatro países manifestaram apoio ao documento. Hoje, a Anistia Internacional vai levar um telão de LED 360°, de 5 metros, com o questionamento: “Quem matou Marielle Franco?” A mensagem passará em frente a algumas instituições estatais e do sistema de Justiça criminal no Rio de Janeiro.

Ontem, o Correio enviou perguntas para a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, para as polícias Civil e Militar do estado e para o Ministério da Segurança Pública, mas nenhum dos órgãos respondeu. Todos informaram que o crime continua em investigação pela Divisão de Homicídios, “sob sigilo”.

O Gabinete de Intervenção Federal garante que as apurações continuam sendo conduzidas pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio, sob controle do Ministério Público Estadual. “As investigações prosseguem sob sigilo, a fim de que possam ser obtidas as provas necessárias à elucidação do crime”, destaca o órgão, em nota.

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