Lojistas do Hiper da Prudente têm menos de 30 dias pra sair da unidade

Os comerciantes estabelecidos no Híper BomPreço da avenida Prudente de Morais – alguns da época da fundação, em 1982 – têm até o dia 6 de dezembro para fechar suas lojas e deixarem os pontos.

Nesta segunda-feira, 11, das 43 lojas que tinham como principal chamariz o hipermercado, 15 já estavam fechadas e as 28 ainda abertas se encontravam às moscas. Dos cinco quiosques que ainda funcionavam, dois já estavam fechados.

Com a reestruturação anunciada em outubro último pelo grupo de investimento Advent, dono de 80% do Walmart Brasil, a transformação da bandeira Walmart em BIG promete ser rápida e mudará não apenas o nome nas fachadas dos hipermercados, mas a denominação corporativa do negócio no país.

Desde que o Advent anunciou o fim do hipermercado BomPreço da Prudente, no meio da semana passada, alegando que ele passaria por uma reforma de seis meses, até fechá-lo com tapumes, o que aconteceu da sexta para o sábado, parte dos comerciantes instalados ali apenas suspeitavam do fechamento.

Segundo Cristiane Faraj, proprietária da ótica mais antiga do Híper, fundada pela família dela ainda em 1982, a comunicação de que todas as lojas teriam de fechar em 30 dias aconteceu sem qualquer aviso prévio. “Há 60 dias ficamos sabendo da reforma, mas nos disseram que os lojistas permaneceriam, a exemplo do que acontecia nas reformas em outras capitais, como Recife”, lembra Cristine. “Só na semana passada os comerciantes tomaram ciência de que não era nada disso”, acrescenta.

Com nove empregados trabalhando em dois turnos, uma loja de confecção infantil no Híper da Prudente há 23 anos vive o pior impasse desde foi fundada em 1992. Com as prateleiras abarrotadas de mercadorias compradas para o Natal, a atendente Kaline diz que todo o dia tem produtos novos chegando. “Vai ser um problema porque a outra loja não tem espaço para receber o que temos aqui e abrir um ponto novo é um processo de muitos meses”, diz.

Ela conta que, em 2014, quando fizeram a mudança de ponto dentro da mesma galeria, o processo, incluindo a mudança de endereço junto à Receita e a preparação do ponto, fez a loja ficar fechada por três meses. “Agora, com isso, nem sabemos se ainda teremos emprego no mês que vem”, diz.

Nesta segunda, um grupo de comerciantes com ponto no Híper se reuniu na Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL) para examinar a situação. Segundo informações de alguns deles, os empresários tentaram uma medida liminar para ganhar tempo e estender o prazo de saída.

“Mesmo assim, as consequências seriam basicamente as mesmas, já que com o hipermercado fechado, o movimento que já vinha bem ruim desde o ano passado cairia de uma vez”, afirma Cristine, da ótica.

Desde a semana passada, ela vem avisando clientes com encomendas da mudança de endereço, mas prevê tempos difíceis, já que terá que usar o faturamento do mês em outros investimentos não previstos, com a reforma de um ponto novo. “Eles poderiam ter avisado com antecedência do que pretendiam, mas acho que temendo ações judiciais eles resolveram pegar todo mundo de surpresa”, opina.

Já comerciantes de alimentos prontos, como Susana Yoshikawa, que se mudou para o Híper depois de ficar por mais de 20 anos no Natal Shopping, está mais conformada. Ela entrou justamente quando outros restaurantes começaram a fechar. “Quando vim para cá, em 2016, já sabia da situação de queda da clientela e me adaptei, fornecendo alimentação para um público muito específico”, relata.

Presente no país desde 1995, o Grupo BIG, ex-Walmart Brasil, opera hoje com cerca de 550 unidades e 50 mil funcionários em 18 estados brasileiros, além do Distrito Federal. São sete bandeiras entre hipermercados (Big e Big Bompreço), supermercados (Bompreço e Nacional), atacado (Maxxi Atacado), clube de compras (Sam’s Club) e lojas de vizinhança (TodoDia), além de postos de combustíveis e farmácias.

Agora RN

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