Promotor publica vídeo para mostrar ala fechada em hospital de Bauru
Foto: Arquivo pessoal
O promotor de Saúde Pública de Bauru (SP), Enilson Komono, que se envolveu em uma polêmica nesta semana com o governo do estado, publicou um vídeo nas redes sociais nesta sexta-feira (29) mostrando 17 leitos fechados no Hospital de Base (VEJA O VÍDEO AQUI). No vídeo, Komono percorre uma ala médica do hospital e mostra leitos vazios, sem utilização
“Eu estou aqui na clínica cirúrgica 2. Vocês vão ver que ela foi fechada. Olha como o estado trata os leitos, olha a situação. Isso aqui: 17 leitos fechados. O estado diz que está ampliando, hoje é dia 29 de janeiro de 2021, então é importante que isso aqui fique registrado. Uma ala inteira do Hospital de Base, que é o hospital tradicional da DRS VI, responsável por 1,8 mil habitantes, e está fechada uma clínica cirúrgica”, afirma no vídeo.
Além dos leitos fechados no Hospital de Base, o promotor gravou vídeos mostrando a quantidade de pacientes no pronto-socorro central que aguardam vaga para cirurgia no HB e também leitos fechados no Hospital das Clínicas de Bauru.
Em nota à TV TEM, o estado de São Paulo informou que as cirurgias eletivas podem ser reprogramadas em virtude da pandemia e que apenas 17 leitos foram direcionados para esse uso sob demanda no Hospital de Base.
Além disso, informou que os procedimentos cirúrgicos podem ser realizados no Hospital Estadual de Bauru, Hospital Geral de Promissão e Hospital das Clínicas de Botucatu, que juntos contam com mais de 730 leitos para atender outras patologias, sem incluir Covid.
Ainda de acordo com a nota, o estado triplicou o número de leitos no hospital de campanha instalado no prédio da USP, que agora opera com 30 leitos, e que mais dez serão ativados em fevereiro. A pasta também disse que mantém em operação 50 leitos de UTI e 46 de enfermaria exclusivos para pacientes com coronavírus no Hospital Estadual de Bauru (HEB).
Sobre o Hospital das Clínicas, a nota diz que o 8º andar do prédio da USP é de uso exclusivo da universidade, bem como os materiais lá instalados.
A polêmica entre o promotor e o governo do estado ganhou repercussão nesta quarta-feira (27) quando Komono afirmou que o estado seria omisso em suas obrigações na defesa da saúde e chamou o Plano São Paulo de “enganoso”.
“Temos aqui em Bauru centenas de mandados de segurança na Justiça para assegurar leitos e o Judiciário tem sido o único protetor dos pacientes, que estão desassistidos pela negligência histórica do poder público”, disse em nota à TV TEM.
Durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de SP, o coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, afirmou que os membros do centro se sentiram “agredidos” com as afirmações do promotor.
“Caso ele [Komono] confirme essas manifestações, de que o Plano SP é enganoso e que estamos sendo negligentes, o promotor demonstra ignorância e irresponsabilidade”, disse Gabbardo.
Além disso, Gabbardo subiu o tom das críticas ao comentar o fato de a prefeitura de Bauru ter flexibilizado o Plano São Paulo com decreto que permite abertura de setores não-essenciais, como o comércio, e de o Ministério Público ter apoiado a decisão.
“O promotor apresenta algumas sugestões, como contratar leitos da rede privada, mas alguém que está pensando em saúde pública não pode achar que a solução é simplesmente aumentar o número de leitos sem a mínima preocupação com a redução da transmissão da Covid. Nunca vi um promotor da saúde se manifestar como promotor da doença”, continuou o coordenador-executivo.
À tarde, o promotor Enilson Komono enviou um ofício à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da cidade solicitando apuração por eventual prática de improbidade administrativa do estado no caso da falta de leitos e do atraso na viabilização do Hospital das Clínicas (HC) no “predião” do Centrinho.
A prefeitura de Bauru publicou no início da noite desta sexta-feira (29) um decreto que recoloca a cidade na fase vermelha do Plano São Paulo a partir deste sábado (30), com permissão de funcionamento apenas dos serviços considerados essenciais.
A decisão da prefeitura foi motivada por uma pressão da Justiça, que concedeu liminar em ação da Procuradoria-Geral do Estado para derrubar o trecho do decreto anterior que permitia o relaxamento das regras da fase vermelha para a qual Bauru foi rebaixada na reclassificação anunciada no último dia 22.
Após ser notificada oficialmente da sentença do TJ-SP, a prefeitura de Bauru a enviou ao Jurídico, que vai analisar se recorrerá da decisão. POR TV TEM/G1
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