‘Treinando caso ela diga não’: PF mira criadores de vídeos que simulam agressões a mulheres

A Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia – braço da Advocacia-Geral da União -, apresentou notícia-crime à Polícia Federal, solicitando a abertura de inquérito para apurar a circulação de vídeos que fazem apologia à violência contra a vida e a integridade física de mulheres. O pedido foi enviado no domingo (8). Nesta segunda (9), a PF deu início a investigação.
As imagens, que foram postadas no TikTok, e já foram retiradas da plataforma, exibem jovens simulando chutes, socos e esfaqueando manequins que representam a figura feminina. Na tela, é exibida uma mensagem que justifica a violência, com recomendações explícitas para casos de negativas de relacionamento, beijos ou casamento: “Treinando caso ela diga não”, diz um texto.
O pedido à PF, assinado pelo procurador nacional da União de Defesa da Democracia, Raphael Ramos, identifica pelo menos quatro perfis de usuários responsáveis pela publicação desse tipo de conteúdo.
O procurador afirma que as imagens ‘afetam a integridade da ação pública voltada à promoção e proteção dos direitos das mulheres, bem como a efetividade das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero e de promoção da igualdade material’.
A iniciativa – divulgada pela Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU – se insere no âmbito do Pacto Brasil entre os três poderes para enfrentamento do feminicídio, firmado em fevereiro. Entre as medidas previstas no pacto está o combate à violência digital contra mulheres e meninas.
Segundo Raphael Ramos, ainda que não haja uma vítima individualizada, a circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres.
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