Fiocruz quer produzir o remédio contra Covid do laboratório MSD

A Fiocruz está em “conversas avançadas” com a farmacêutica americana MSD (Merck Sharp & Dohme) para definir um modelo de cooperação técnica em relação ao antiviral contra a Covid-19 molnupiravir.

A MSD solicitou essa semana autorização de uso de emergencial nos Estados Unidos para seu remédio oral para tratar pacientes leves a moderados.

Segundo a farmacêutica, o molnupiravir reduziu em, aproximadamente, 50% os riscos de internação e mortes em estudo de fase 3. Se autorizado, seria o primeiro medicamento antiviral oral indicado para casos leves.

“A Fiocruz tem acompanhado diversos projetos candidatos para o tratamento da Covid-19. Os projetos enviados à Fundação passam por avaliação de uma comissão técnica criada para essa finalidade, com o objetivo de avaliar os resultados preliminares e a tecnologia de produção”, informou a fundação em nota.

As negociações entre a Fiocruz e a MSD incluem a possibilidade de estudos futuros para avaliar o antiviral no enfrentamento de outras infecções virais, como dengue e chikungunya.

O Ministério da Saúde informa que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) ainda não recebeu pedidos para avaliação da incorporação do medicamento Molnupiravir no SUS. Essa comissão é responsável por assessorar o ministério na incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS, assim como na constituição ou alteração de protocolos clínicos ou de diretriz terapêutica.

O primeiro estudo clínico global com o molnupiravir demonstrou que o antiviral reduziu em aproximadamente 50% o risco de hospitalização ou morte. Até o 29º dia, nenhuma morte foi relatada em pacientes que receberam o medicamento, em comparação com oito mortes em pacientes que receberam placebo.

Os dados demonstraram que 7,3% dos pacientes medicados foram hospitalizados ou morreram, em comparação com 14,1% dos pacientes tratados com placebo. Com base nos dados de sequenciamento viral disponíveis (de aproximadamente 40% dos participantes), molnupiravir demonstrou eficácia consistente contra as variantes Gama, Delta e Mu.

A partir desta semana, a farmacêutica iniciou no Brasil os estudos de fase 3 do uso profilático pós-exposição do medicamento, a chamada PEP, que seria um verdadeiro ‘tratamento precoce’.

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