VIDEO: Xingado na porta da delegacia, delegado desabafa sobre um problema que virou rotineiro no RN
A situação da Polícia Civil e das demais forças de segurança pública do RN não está fácil. Além de ter que resolver, na ponta, os diversos problemas causados pela falta de serviços como educação e assistência social, alguns policiais ainda estão sofrendo com a falta da prestação de serviços e acompanhamento psicológico e psiquiátricos. A situação faz com que pessoas, visivelmente com problemas, pratiquem tentativas de suicídio ou de homicídio, simplesmente, para chamar a atenção de policiais. Ou então, como no caso acima, agridam verbalmente ou façam ameaças aos agentes de segurança pública.
Este caso foi registrado pelo delegado Cidorgeton Pinheiro, da 20ª Delegacia de Polícia, em Macaíba. Um dos nomes mais atuantes da Polícia Civil, o policial divulgou uma mensagem fazendo um verdadeiro desabafo e solicitando que os responsáveis legais (curadores) de pessoas com doenças ou transtornos mentais adotem os cuidados necessários com eles, sob pena de responsabilização. “A par de todas as dificuldades e perigos inerentes à carreira policial, a 20ª Delegacia de Polícia Civil (Macaíba) tem enfrentado um problema inusitado: a importunação de pessoas com doenças ou transtornos mentais”, afirmou.
O delegado cita uma série de exemplos causados por essas pessoas com transtornos. “Os policiais civis têm recepcionado pessoas que, buscando atenção ou mesmo sem a percepção da realidade, apresentam-se para os mais diversos e descabidos propósitos, tentando uma solução na unidade policial. Pessoas com mania de perseguição, outros que buscam segurança particular 24h pelos agentes, algumas com comportamentos suicidas tem sido um constante obstáculo à prestação de um bom serviço público na cidade”, explicou.
Cidorgeton acrescenta que já se deparou com o caso de uma mulher que entrou em uma escola de ensino infantil com duas facas, ameaçando matar todos, com histórico de tentar pular da ponte, bem como de fantasiar mortes de agentes públicos em sua casa, apenas para ter acesso ao delegado. “São muitos os registros de pessoas que iniciam o ato do suicídio ou, até mesmo, de homicídio, apenas para chamar a atenção dos policiais civis, recusando o atendimento por outros órgãos ou servidores públicos”, ressaltou.
“Tem também o caso de uma pessoa que afirma existir desafetos que irão tirar sua vida, conforme informações que foram repassadas por vozes que saíram de dentro de prédios abandonados, mas que sempre repetem quando ele passa. Outros que buscam a unidade para registrar eventos claramente impossíveis de terem ocorrido, como o furto de valores milionários que estariam guardados no colchão e que a companheira teria escondido a metade”, citou.
Cidorgeton segue citando vários casos. Em outro momento, relembrou que, recentemente, um deles simulou uma mala com bomba, próximo ao fórum, mobilizando todo o policiamento da cidade para a ocorrência, enquanto dois postos de saúde eram atacados por criminosos, em meio a esse momento crítico. “Se para muitos esses fatos são engraçados, para os envolvidos, seja a pessoa com problemas, mas especialmente os policiais no atendimento, NÃO É, ao contrário, é extremamente constrangedor“, lamentou.
O delegado ressaltou que nessas situações há todo um tempo desperdiçado no atendimento a essas pessoas, tempo esse que poderia ser dispensado nas muitas investigações em atraso na unidade. Registre-se, ainda, os riscos, pois parte dessas pessoas evoluem para um comportamento agressivo quando é explicado não ser possível adotar as medidas que elas pretendem naquele instante, inclusive com ofensas verbais e ameaças.
“A cidade de Macaíba possui aparelhos públicos capazes de atender e dar o suporte a essas pessoas e seus responsáveis, como postos de saúde, CRAS, CAPS e CREAS, cabendo aos interessados buscarem todo o apoio que necessitam junto a eles. Já a 20ª Delegacia de Polícia Civil, conforme registrado pelo delegado, passará a autuar criminalmente as pessoas que não forem legalmente interditados e, para os que forem, adotará medidas judiciais contra os curadores, responsáveis legais por eles”, garantiu.
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