Na contramão da gestão Lula, governos estaduais aceleram privatizações
Por VEJA
Felizmente, na contramão do governo federal, alguns dos chefes dos estados mais ricos da federação não seguem a mesma cartilha de Lula e iniciaram seus mandatos com o pé no acelerador, prometendo planos ambiciosos na política de desestatização. Um dos destaques nesse campo é o governador paulista Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Segundo estimativas do Palácio dos Bandeirantes, o pacote pode atrair quase 170 bilhões de reais em investimentos.
Além de enfrentar a resistência de prefeitos e de funcionários da estatal, o projeto esbarra nos deputados estaduais do PT, que recriaram uma frente parlamentar para dificultar e até mesmo impedir a aprovação do projeto na Casa. O governador garantiu que só levará a ideia adiante se os estudos mostrarem redução no preço da conta de água.
A previsão é que o levantamento seja concluído em seis meses e o processo de negociação, em 2024. No caso da privatização do Porto de Santos,
projeto concebido quando Tarcísio estava no ministério de Bolsonaro, ocorre também uma trombada com os petistas — no caso, com o próprio Lula, que mandou brecar o processo.
Zema, do Novo, nem a assinatura do contrato de concessão do metrô de Belo Horizonte, realizada na última semana de março, colocou fim a uma interminável disputa político-ideológica. Poucos dias antes da posse de Lula, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, entrou com uma ação popular tentando suspender o negócio. O processo foi julgado improcedente no início de março, mas Hoffmann recorre. Ela não está sozinha nessa luta.
Dias antes da assinatura da papelada do pacote de concessão, o ministro de
Desenvolvimento e vice-presidente, Geraldo Alckmin, recebeu “romarias” de políticos alinhados ao PT solicitando o cancelamento do acordo. O próprio Alckmin, durante a transição, pediu ao então ministro da Economia, Paulo Guedes, o adiamento do leilão — ainda bem que não foi atendido.
Como sempre acontece em situações desse tipo, o corporativismo se mobiliza a fim de manter seus privilégios — muitas vezes, com narrativas absolutamente inverídicas. Servidores do metrô mineiro engrossaram recentemente o coro de oposição, cruzando os braços por uma semana, sob o argumento de que a privatização trará perda de emprego para a categoria. “Vai ocorrer o contrário disso, pois o contrato prevê a expansão do sistema, com a criação de uma linha nova”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas, Fernando Passalio. Segundo as previsões de Zema, os investimentos na rede metroviária mineira deverão chegar a 4 bilhões de reais.
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