Rogério Marinho: Reforma tributária não pode ser uma mensagem na garrafa

Não quero usar esse espaço apenas como líder da oposição no Senado Federal. Peço licença para antes lembrar ao leitor do jornal digital Poder360 que relatei a reforma trabalhista em 2017. Em 2019, como secretário de Previdência e Trabalho, coordenei a equipe que elaborou e, consequentemente, aprovou a reforma da Previdência ao Congresso Nacional em 2019. Após ser nomeado ministro do Desenvolvimento Regional, articulei a aprovação do marco do saneamento junto ao Senado.

Os 3 assuntos, conduzidos pelos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), sempre foram tabus no país, necessitando de grande empenho junto ao Congresso Nacional, de maneira que a versão aprovada não aguasse em mera carta de intenções. Logo, não se espera de uma reforma estrutural a falta de visão de país, o aumento da incerteza e o descompromisso com gerações futuras.

Creio estar credenciado para afirmar que a reforma tributária está à deriva. Não levará o país a um bom destino, salvo grande mudança de seu curso. Sabemos apenas que o trabalhador comum irá remar mais do que aqueles que alcançaram benefícios tributários, isenções e regimes especiais. Isso porque, do texto que veio da Câmara, cerca de 5 pontos a mais de alíquota constarão em um fardo para o contribuinte médio. Foi transferido para a população toda a omissão do Poder Executivo no debate.

Teremos o maior IVA (Imposto sobre Valor Agregado) do mundo porque os atuais mandatários transformaram o processo decisório da reforma no paraíso das corporações. Ao mesmo tempo, em um inferno para a população que se vê sem o contrapeso do governo no debate. Seja ele operário, dona de casa, motorista de aplicativo ou estagiária começando a vida de pagamentos de impostos. Esse ônus acaba de ser ampliado na 1ª versão do relatório apresentado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. 

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