“O que me dói é minha gata que morreu, diz Chico Alves sobre incêndio em oficina

Da cadeira de plástico na calçada, com boné na cabeça, bermuda jeans e camisa de botão aberta, Chico Alves, 85, observa escombros. É a rotina de toda manhã desde que a sucata que leva o nome dele ha 55 anos incendiou, fazendo a fumaça invadir as ceias de Natal.

Nessa segunda-feira (29), cinco dias depois, mesmo com o fogo debelado, bombeiros ainda atuavam para esfriar o bafo quente que o terreno insiste em soprar nas casas vizinhas, enquanto funcionários de “seu Chico” removiam sacos de entulho do local.

Em meio a esse vai-e-vem, o empresário, que estava hospitalizado quando tudo aconteceu, parece esperar sentado a ficha cair. Na chegada da reportagem, Chico resistiu a falar – mas logo a voz embargada saiu como algo que desentala:

“Eu tinha uma gatinha que valia mais do que essa sucata todinha pra mim. Essa sucata (e oficina) não representa nada.” O caso aconteceu no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, na noite do dia 24.

Entre todos os carros, peças, móveis, cofres e incontáveis objetos que integravam o patrimônio do paraibano, é de Nina a saudade irreversível que fica. É para encontrar o corpo dela que Chico aguarda a liberação de entrada no prédio, interditado por riscos estruturais.

Escreva sua opinião

O seu endereço de e-mail não será publicado.