Exposição, centro político e Parlamento: a equação por trás do nome Paulinho Buda para eleição indireta
A circulação do nome do empresário Paulinho Buda como possível candidato a uma eleição indireta para governar o Rio Grande do Norte por cerca de oito meses não pode ser tratada apenas como especulação casual. O movimento ocorre em um contexto específico: rearranjos no campo de centro do Estado e a busca por um nome que não carregue o desgaste da polarização política vigente.
A sequência de aparições públicas de Buda ao lado de atores centrais do poder — como o prefeito de Natal, Paulinho Freire, o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, o vice-governador Walter Alves e o deputado Gustavo Carvalho — indica uma construção gradual de imagem política. Nesse conjunto, chama atenção a proximidade crescente com Paulinho Freire, hoje um dos principais articuladores do centro político potiguar e figura-chave em qualquer equação que envolva a Assembleia.
Em uma eventual eleição indireta, o jogo se daria exclusivamente no Parlamento, com a necessidade de mobilizar 24 votos entre os deputados estaduais. Nesse cenário, a exposição midiática funciona como instrumento de pressão indireta: ao tornar o nome conhecido do público, cria-se um ambiente em que os parlamentares passam a responder não apenas às negociações internas, mas também à repercussão externa.
A leitura predominante nos bastidores é que grupos do centro buscam um perfil que dialogue com diferentes campos, preserve acordos institucionais e administre o Estado sem rupturas. A apresentação de Paulinho Buda como empresário reforça essa narrativa de gestão e transição, ainda que sua projeção pública ocorra antes de qualquer debate formal.
Mais do que um projeto definido, o que se vê é um teste de viabilidade política. A presença constante em feeds de blogs e jornais funciona como termômetro: mede aceitação, reduz resistências e sinaliza força. Se prosperar, o movimento deixará claro que, no RN, a disputa pelo poder começa muito antes do voto — e passa, cada vez mais, pela construção antecipada de narrativas.
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