Idoso e dócil: quem era Orelha, cão comunitário morto após agressões de adolescentes “ricos”

O cachorro comunitário Orelha, de cerca de 10 anos, morto após ser agredido na Praia Brava, no Norte de Florianópolis é lembrado pelos moradores da região como “dócil e brincalhão”, segundo a médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal.

A Polícia Civil identificou pelo menos quatro adolescentes suspeitos de participação nas agressões e, na manhã desta segunda-feira (26), cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da Praia Brava. A região conta com três casinhas destinadas aos animais comunitários, e o cachorro convivia diariamente com moradores e com outros cães do bairro.

O cachorro foi encontrado no dia 15 de janeiro agonizando por moradores, que o levaram a uma clínica veterinária, mas acabou sendo submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Ao g1, a médica veterinária contou que Orelha era “sinônimo de alegria” e que fazia parte de sua rotina com frequência. Segundo ela, o cachorro era extremamente dócil e brincalhão, além de fazer sucesso com os turistas.

“Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, questionou.

A profissional explicou ainda que não havia um único responsável pelos custos, mas que Orelha nunca ficou sem atendimento médico. Ela tinha liberdade para fazer protocolos de vermifugação, vacinas e consultas sempre que necessário, e os moradores passavam depois para acertar os valores.

A Associação de Moradores da Praia Brava, destacou o papel afetivo do animal e informou que Orelha se tornou um “simbolo simples, mas muito querido”. A entidade também divulgou uma nota lamentando o ocorrido.

“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem.”

G1

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