Campanha Março Azul no RN reforça rastreamento do câncer colorretal

O mês de março marca a campanha de conscientização e prevenção ao câncer colorretal, conhecido como Março Azul, que reforça a importância do rastreamento da doença a partir dos 45 anos e da atenção a sintomas como sangramento nas fezes e alteração do hábito intestinal. Em entrevista à TV Tropical, a presidente da Sociedade de Gastroenterologia do RN, médica Andréa Fonseca, explicou orientações sobre diagnóstico, exames e ações de prevenção no Rio Grande do Norte.
“Os principais sintomas são o sangramento nas fezes, uma alteração do hábito intestinal, o intestino que não funcionava bem de uma hora para a outra prende ou diarreia inexplicada. Mas o grande foco dessa campanha é a gente rastrear, a gente prevenir esse câncer, procurar antes dele chegar”, afirmou.
De acordo com Andréa Fonseca, o rastreamento deve começar aos 45 anos. “A partir dos 45 anos, o câncer de intestino é um dos cânceres mais frequentes aqui no Brasil e no mundo. E a gente viu que existem vários trabalhos mostrando que a partir dos 45 a gente precisa rastrear, pesquisar e tratar”. Ela explicou que a investigação pode ser feita por meio de pesquisa de sangue oculto nas fezes, realizada anualmente, ou diretamente pela colonoscopia. “Ou a gente faz a pesquisa de sangue nas fezes, mas precisa ser todo ano, e se der positivo você faria a colonoscopia, ou você já faz a colonoscopia, que seria o ideal”. Segundo a médica, a incidência da doença é semelhante entre homens e mulheres.
A especialista também destacou a recomendação para pessoas com histórico familiar. “Se tem na sua família alguém com câncer de intestino, você precisaria fazer 10 anos antes desse familiar mais jovem. Mas se for acima de 60 anos que esse seu familiar teve câncer de intestino, você começaria aos 40 anos”.
Sobre prevenção, Andréa Fonseca explicou que não há como impedir totalmente o surgimento de pólipos, mas hábitos saudáveis podem ajudar a reduzir riscos. “A gente não tem muito como prevenir que eles surjam, mas a gente tem coisas que prevenir. Hábitos saudáveis que eliminam o câncer de uma maneira geral, que é uma boa alimentação, sem ultraprocessados, com fibras, com frutas, evitar o sedentarismo, evitar o cigarro, isso a gente pode fazer para evitar”.
Ela acrescentou que a retirada dessas lesões pode impedir a evolução para câncer. “Mas a gente pode retirar esses pólipos para impedir que eles cresçam e se transformem. É como se fosse um sinalzinho de carne, é uma sementinha que a gente vai retirar para evitar que ela se transforme em uma árvore que seria o câncer”.
A médica explicou que o diagnóstico precoce pode interromper a evolução da doença. “Isso, porque assim, para um pólipo desse, que é uma lesãozinha, se transformar em câncer, ele leva em torno de 10 anos, é um tempo médio. Então se a gente faz uma colonoscopia e tira um pólipo de 3mm, 4mm, 5mm, a gente evita que essa lesão se transforme. Então você interrompeu uma cascata que iria acontecer”.
Durante o mês de conscientização, a entidade promove ações informativas e mutirões de exames em Natal. “O Março Azul é uma campanha que não é só aqui do Rio Grande do Norte, não é só nacional, é uma campanha mundial. O Março Azul é um meio de conscientização ao câncer do intestino. E aqui em Natal, a gente vai fazer além, a gente está conversando aqui, difundindo um pouquinho o conhecimento, a gente vai ter amanhã uma aula na Liga”.
“Se o paciente chega para o médico da saúde da família, ou com anemia, ou perda de peso, alteração do hábito intestinal, esse médico deve solicitar imediatamente uma colonoscopia. Ele vai para a frente da fila”, acrescentou. Segundo ela, após o exame, o acompanhamento depende do resultado. “Uma vez que ele volta para o médico com esse resultado, ou dependendo se essa colonoscopia teve pólipos, o médico vai ver quando ele precisa repetir, mas se já tem um tumor, aí ele vai ser encaminhado para as unidades de referência, para ver se vai ser um tratamento cirúrgico, um tratamento oncológico”.
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