Sala do Teatro Sandoval Wanderley passa a se chamar Titina Medeiros

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A sala principal do Teatro Sesc Sandoval Wanderley, em Natal, foi oficialmente rebatizada como Sala de Espetáculos Titina Medeiros na manhã desta quinta-feira 27, em uma cerimônia que abriu a programação do Serviço Social do Comércio do Rio Grande do Norte (Sesc RN) para o Dia Mundial do Teatro. O ato reuniu familiares, artistas e autoridades, e contou com a presença do ator César Ferrario, viúvo da atriz homenageada.

A solenidade teve início por volta das 9h e marcou não apenas a nomeação do espaço, mas também a estreia do documentário inédito “Titina: Alma Livre”, dirigido por Carito Cavalcanti e Fernando Suassuna. A produção percorre momentos da trajetória da artista potiguar e destaca sua atuação no teatro e no audiovisual, evidenciando sua contribuição para a cultura nordestina e brasileira. O filme será exibido novamente à noite, quando a programação segue aberta ao público, com a apresentação do espetáculo “Candeia”.

A homenagem ocorre após a morte de Titina Medeiros, aos 49 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas. A escolha de dar nome à sala onde tantas trajetórias se encontram inscreve a presença da atriz no cotidiano do teatro da cidade, em um gesto que dialoga com sua história construída nos palcos e fora deles.

César Ferrario destacou o modo como a atriz compreendia o próprio ofício. “Titina foi uma proletária da arte, uma trabalhadora da cultura”, afirmou. Segundo ele, a artista se afastava do rótulo de celebridade e construiu a carreira “no cumprimento daquilo em que acreditava”, com uma rotina de trabalho constante, “de manhã, de tarde e de noite”.

Ao comentar a convivência com a atriz, ele ressaltou: “Apesar de toda a tristeza, a consciência é que nós somos muito privilegiados. Eu sou muito privilegiado. Estou agradecido por ter a oportunidade de ter vivido do lado desse ser humano maravilhoso que é Titina Medeiros”. Ele também observou a intensidade da trajetória da companheira: “Se ela só teve 49 anos de existência, ela não veio à brincadeira. Nesses anos, ela botou para quebrar”.

O ator descreveu ainda características do perfil profissional de Titina: “Titina é amável, feliz, absurdamente profissional, dedicada. Às vezes as pessoas falam de talento, mas eu quero dizer também que existe trabalho, pesquisa, treinamento, assiduidade e essa também era Titina”.

A programação desta quinta-feira se insere no Mês do Teatro promovido pelo Sesc RN, que ao longo de março tem reunido atividades voltadas às artes cênicas, incluindo apresentações e ações formativas com artistas locais e nacionais, como o ator Paulo Betti. A exibição do documentário ao longo do dia busca ampliar o acesso do público à memória da atriz e reforçar a relação entre arte e identidade.

A nomeação da sala e a exibição do documentário consolidam, no espaço físico do teatro, uma trajetória construída em diálogo com o público e com a cena cultural do Rio Grande do Norte.

Em entrevista ao AGORA RN, em 2021, Titina Medeiros comentou o reconhecimento de sua atuação no audiovisual potiguar. “Eu fico muito orgulhosa em saber que eu tenho um dedinho nisso, é muita alegria para mim”, afirmou. Ao abordar o crescimento das produções locais, destacou o papel do coletivo: “Porque só no coletivo é que a gente consegue produzir e resistir e mostrar nossa força”.

Titina construiu a carreira a partir do teatro, integrando grupos e projetos de formação artística. Ganhou projeção nacional em 2012 ao interpretar Socorro, a “personal colega” da personagem Chayene, na novela “Cheias de Charme”, e participou de produções como “Geração Brasil”, “A Lei do Amor”, “Onde Nascem os Fortes”, “Mar do Sertão” e “No Rancho Fundo” (2024).

Formada em Jornalismo pela UFRN, manteve atuação contínua nos palcos e no audiovisual, sempre fortalecendo suas raízes em Acari, cidade onde cresceu no Seridó potiguar.

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