Prefeitura vai construir reservatórios subterrâneos para reduzir alagamentos na orla de Ponta Negra

A Prefeitura do Natal vai realizar uma série de intervenções para enfrentar o problema dos alagamentos que vêm se formando na praia de Ponta Negra desde que foi realizada a obra da engorda. A principal medida será a construção de três reservatórios subterrâneos de infiltração em pontos estratégicos do bairro de Ponta Negra.
De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), as estruturas deverão reter parte da água da chuva antes que ela desça até a praia, reduzindo a formação de lagoas temporárias e o risco de voçorocas na faixa de areia.
A obra tem investimento estimado em R$ 21,6 milhões. O processo já avançou para a fase de licitação. Conforme aviso publicado nesta quarta-feira 13 no Diário Oficial do Município, a concorrência eletrônica nº 22.007/2026 está marcada para o próximo dia 27 de maio. Com a licitação, será contratada uma empresa para executar as obras de drenagem e implantar os três reservatórios modulares, além de dispositivos complementares.
Em entrevista a O CORREIO DE HOJE, a secretária da Seinfra, Shirley Cavalcanti, explicou que os reservatórios funcionarão como grandes caixas subterrâneas destinadas a armazenar e infiltrar a água da chuva.
Segundo a secretária, as estruturas serão instaladas em locais que concentram grande contribuição de água pluvial. Um dos reservatórios ficará na Rua João Rodrigues de Oliveira, próximo ao restaurante Old Five; outro na Avenida Praia de Pirangi, próximo ao restaurante Ô Bar; e um terceiro na Rua Francisco Gurgel, em frente ao Visual Praia Hotel.
Esses reservatórios terão até 250 metros de comprimento e 3,00 metros de profundidade e receberão a água proveniente não apenas da Vila de Ponta Negra, mas também de áreas mais amplas do bairro e da Avenida Engenheiro Roberto Freire.
Como os reservatórios vão funcionar
Hoje, a água da chuva escoa pelas galerias de drenagem e chega diretamente à faixa de areia, onde é desacelerada por 17 dissipadores construídos ao longo da orla junto com a engorda. Esses equipamentos reduzem a velocidade da enxurrada, mas não impedem que grandes volumes de água alcancem a praia.
Shirley Cavalcanti explica que a nova solução vai além desse sistema. “Atualmente, o dissipador só retém a velocidade da água. Agora, os reservatórios vão acumular a água”, disse.
A lógica é simples: a água ficará armazenada temporariamente em estruturas subterrâneas, permitindo infiltração gradual no solo. Apenas quando o volume ultrapassar a capacidade de retenção é que parte da água seguirá para a praia. “Essa água só vai passar para a faixa de areia em torno de chuvas intensas acima de 60 milímetros”, afirmou a secretária. “Em chuvas de até 60 milímetros, pode ser que ninguém visualize nada na praia.”
Em precipitações mais intensas, como de 80, 90 ou 100 milímetros, a expectativa é que os espelhos d’água continuem ocorrendo, mas em proporções menores e com água mais limpa.
A limpeza da água é outro objetivo do sistema. Ao permanecer mais tempo no reservatório, parte dos sedimentos fica retida, reduzindo o transporte de resíduos até a praia e o mar.
Os reservatórios não ficarão aparentes. Serão instalados sob as vias, em modelo semelhante ao adotado em outras capitais, como Recife (PE). “Eles vão ser cobertos, vão ser implantados embaixo da rua”, explicou Shirley.
Segundo ela, o funcionamento é comparável ao de grandes tanques subterrâneos de infiltração. “Ele vai reter a água, esperando a água infiltrar. Se o volume for menor, essa água não chega nem a passar, ela vai ficar só no tanque infiltrando.”
Após a contratação da empresa, o cronograma previsto para execução é de seis meses.
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