Uma caneta emagrecedora contrabandeada é apreendida a cada dois minutos no Brasil, apontam PF e Receita

A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, apreendeu 79.168 unidades de medicamentos injetáveis para emagrecimento irregulares entre janeiro e 23 de abril de 2026. O volume corresponde a uma média de cerca de 700 apreensões por dia, ou uma a cada dois minutos, e já supera todo o total registrado ao longo de 2025, quando foram retidas 60.787 unidades. Os dados indicam, segundo as autoridades, um crescimento acelerado do mercado clandestino desses produtos no país.

As apreensões envolvem tanto medicamentos autorizados no Brasil para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, como tirzepatida semaglutida, quanto substâncias importadas sem documentação ou não aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), configurando irregularidades sanitárias e crime de contrabando.

De acordo com a Anvisa, desde o início do ano foram realizadas 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras. Oito estabelecimentos foram interditados por falhas graves de controle de qualidade. As ações resultaram ainda na apreensão de cerca de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares e na adoção de mais de 11 medidas restritivas relacionadas à importação, comercialização e uso desses produtos.

Em abril, uma operação conjunta entre a PF e a Anvisa em 12 estados identificou movimentações irregulares envolvendo tirzepatida que somaram R$ 4,8 milhões, quantidade suficiente para produzir mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis. Na ação, também foram apreendidos mais de 17 mil frascos manipulados de forma irregular.

Segundo a Polícia Federal, parte dos medicamentos entra no Brasil por rotas terrestres na fronteira com o Paraguai, principalmente pela Ponte da Amizade, entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. Em seguida, os produtos seguem por rodovias federais ou voos domésticos para diferentes regiões do país

As investigações indicam que o esquema envolve perfis variados de compradores e transportadores, incluindo pessoas que adquirem os medicamentos para uso próprio e outras que atuam na revenda ilegal.

Com informações de O Globo

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