Presidente Lula tentará reverter classificação de PCC e CV como organizações terroristas, diz ministro da Fazenda

O presidente Lula deve ligar para Donald Trump nos próximos dias para tentar reverter a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A informação foi revelada pelo ministro da Fazenda ao jornal O Globo. Dario Durigan alertou que a decisão do Departamento de Estado americano ameaça a economia brasileira.

O ministro afirmou que a medida unilateral pode gerar sanções e afetar o sistema bancário, fintechs e até a infraestrutura do Pix. O governo federal estuda conceder apoio financeiro a empresas prejudicadas pela decisão americana sobre as facções criminosas.

O Ministério da Fazenda pretende repetir o modelo adotado no ano passado durante o tarifaço da gestão Trump, priorizando o dialogo diplomatico para evitar contaminação no risco-país. Mais cedo, o ministro disse que já conversou com os presidentes dos principais bancos brasileiros sobre a decisão do governo americano.

Dario Durigan afirmou que a classificação dos Estados Unidos é uma interferência externa, e a economia brasileira pode ser afetada, com um aumento da percepção de risco, a diminuição de investimentos e até sanções a bancos.

Na ligação para Trump, a intenção de Lula é reforçar o compromisso com o combate ao crime organizado e tentar reverter os efeitos da medida assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. O governo Trump alega que o Comando Vermelho e o PCC já atuam em 12 estados americanos.

Nessa sexta-feira (29), a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, convocou uma reunião de emergência para avaliar o impacto do novo status das facções. Participaram do encontro os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Dario Durigan, da Fazenda.

O Palácio do Planalto afirmou em nota que o Brasil é uma nação soberana e mantém o combate permanente contra as facções criminosas. O texto destaca que o crime organizado atua para obter lucro e não pode ser confundido com o terrorismo internacional.

A nota afirma que a decisão de Washington foi motivada por manipulação política e classifica como deplorável a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para defender uma intervenção estrangeira.

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