Hospital pode transformar Caicó em pólo de alta complexidade no RN

A implantação do Hospital Universitário do Seridó, em Caicó, avançou mais uma etapa com a transferência para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) do terreno destinado à construção da unidade. A escritura foi assinada pelo Governo do Estado e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), a área é avaliada em aproximadamente R$ 8 milhões. A regularização do terreno atende a uma das condições necessárias para que o projeto avance, atendendo à necessidade da região, com uma estrutura que promete atuar no campo formativo e ser utilizada de forma estratégica pela saúde do estado.
A proposta é transformar Caicó em um novo polo de atendimento de alta complexidade no interior do Rio Grande do Norte. Atualmente, a região conta com o Hospital Regional Telecila Freitas, também em Caicó, que tem perfil voltado para urgência e emergência. Contudo, a unidade atende uma quantidade significativa de pacientes que deveriam ser absorvidos pela atenção básica. Segundo o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, cerca de 80% dos atendimentos são relacionados a casos de menor complexidade. A ausência de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Caicó contribui para essa sobrecarga.
Quando concluído, o Hospital Universitário do Seridó deverá ter cerca de 180 leitos, incluindo leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), de clínica médica, de cirurgia e de UTI cardiológica. O hospital deverá concentrar atendimentos de alta complexidade em áreas como cardiologia, neurologia, oncologia, nefrologia e pediatria. A ideia é reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Natal, Mossoró e outros centros de referência.
Além da assistência, o empreendimento terá impacto direto na formação médica. De acordo com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Escola Multicampi de Ciências Médicas da UFRN deverá ampliar gradualmente o curso de Medicina na região, passando das atuais 50 para 100 vagas anuais com a implantação do hospital e a oferta de novos cenários de prática. A estrutura também poderá ampliar os programas de residência médica e multiprofissional já existentes.
Ainda sem recursos
Apesar do avanço da nova etapa, a UFRN esclarece que a construção ainda não tem recursos integralmente assegurados. A universidade está finalizando o termo de referência para contratar a elaboração dos projetos executivos e o licenciamento. Somente após essa etapa será possível definir com precisão o custo da obra, dos equipamentos e do mobiliário.
A universidade também informou que, depois da conclusão dos projetos, será necessário buscar os recursos para a construção e, posteriormente, realizar a licitação. Os valores atualmente garantidos são destinados à elaboração dos projetos. Após a conclusão da obra, a gestão e o financiamento do hospital ficarão sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), seguindo o modelo adotado nos demais hospitais universitários federais.
A expectativa apresentada pelo secretário Alexandre Motta é de que, caso as próximas etapas avancem conforme o planejamento, o hospital possa entrar em funcionamento até 2029. A estimativa, no entanto, ainda depende da elaboração dos projetos, da garantia dos recursos para a obra e da realização das licitações.
Tribuna do Norte
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