Malu Gaspar cita Moraes e acusa operação contra jornalista de “violar” garantia constitucional

A jornalista Malu Gaspar criticou a operação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o jornalista maranhense Luís Pablo, que publicou informações sobre o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares do ministro Flávio Dino.

Durante comentário, Malu afirmou que ninguém questiona a necessidade de garantir a segurança de um ministro do Supremo, mas destacou que, no caso, não teria sido apresentada evidência de que Luís Pablo estivesse seguindo ou perseguindo Dino.

Segundo a jornalista, a informação publicada teria sido encaminhada ao jornalista por uma fonte, que teria feito a fotografia no momento em que Dino e familiares estavam na praia. Malu ressaltou que o jornalista não estava no local e criticou a decisão de realizar buscas e apreensões no âmbito da investigação.

Para Malu, a operação resultou na exposição da fonte jornalística, o que, em sua avaliação, representa uma grave ameaça às garantias constitucionais e à liberdade de imprensa.

“Não interessa quem foi que denunciou. Interessa: a informação é verdadeira? Ela é de interesse público?”, questionou.

A jornalista também criticou a justificativa de que o uso do veículo teria sido regular. Na avaliação dela, caso a utilização tenha ocorrido dentro das regras, a questão poderia ter sido esclarecida publicamente desde o início, sem a necessidade de uma investigação que atingisse o jornalista e sua fonte.

Malu ainda afirmou que ministros do Supremo não estão acima da Constituição e citou o artigo 5º, que estabelece que todos são iguais perante a lei.

“Ser ministro do Supremo não dá salvo-conduto para violar a Constituição”, declarou.

Outro alvo das críticas foi a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Malu comparou a operação contra Luís Pablo a outras investigações recentes e afirmou haver, em sua avaliação, uma “inversão de valores” na forma como medidas consideradas invasivas são tratadas.

Ao final, a jornalista alertou que o episódio não deveria ser analisado apenas sob a perspectiva de quem é o jornalista investigado ou de quem seria sua fonte, mas como uma questão institucional envolvendo liberdade de imprensa e garantias democráticas.

“Hoje é o jornalista no Maranhão”, afirmou Malu, alertando que, se esse tipo de conduta não for questionado, medidas semelhantes poderiam atingir outros cidadãos.

Escreva sua opinião

O seu endereço de e-mail não será publicado.