Eleitores do RN votaram no presidente eleito em oito das últimas nove eleições gerais

A seis dias de mais uma eleição presidencial, um levantamento sobre o comportamento das urnas brasileiras nas últimas décadas mostra que o Rio Grande do Norte esteve quase sempre alinhado ao resultado nacional das disputas presidenciais realizadas desde 1989. Em oito dos nove pleitos, o candidato a presidente mais votado no RN foi também o vencedor. A exceção foi 2018, quando Jair Bolsonaro venceu nacionalmente, mas Fernando Haddad foi o mais votado no segundo turno no Estado. O número, porém, não significa que o eleitorado potiguar tenha mantido uma preferência política constante. O indicador mede apenas a frequência com que o mais votado no Estado coincidiu com o vencedor da eleição nacional.

O percentual coloca o Rio Grande do Norte na faixa de maior coincidência entre os estados brasileiros, atrás apenas de Amazonas e Minas Gerais, que registraram 100%, e no mesmo patamar de outros nove estados que também chegaram a 89%. No Nordeste, o RN está entre os seis estados com esse índice, ao lado de Bahia, Maranhão, Paraíba, Piauí e Sergipe.

O levantamento foi elaborado pelo projeto digital “Brasil em Mapas”, que analisa dados e divulga informações estatísticas, históricas, demográficas e eleitorais do país por meio de representações visuais e cartográficas.
A pesquisa considera as eleições presidenciais realizadas entre 1989 e 2022 e, quando houve segundo turno, utiliza o resultado dessa etapa para definir se o desempenho do Estado coincidiu com o vencedor nacional.

Em 1994 e 1998, quando a eleição foi decidida no primeiro turno, é considerado o resultado daquela votação. Os resultados não seguem a mesma lógica e nem indicam uma relação direta com a vitória. Partidos, candidatos e posições políticas mudaram ao longo dos anos, assim como o comportamento do eleitorado.

A trajetória do RN acompanhou quase sempre o vencedor nacional. Na primeira eleição presidencial direta após o período da ditadura militar, Fernando Collor venceu nacionalmente e também foi o candidato mais votado no Rio Grande do Norte. No segundo turno daquele ano, Collor recebeu 52,59% dos votos válidos no Estado, contra 47,41% de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso venceu as duas eleições já no primeiro turno e também foi o mais votado no RN com 64,29% e 50,71, respectivamente. Em 2002 e 2006, o Estado acompanhou Luiz Inácio Lula da Silva (58,6% e 60,16%). O mesmo ocorreu com Dilma Rousseff em 2010 (59,54%) e 2014 (77,28%).

Em 2018, entretanto, houve a quebra do padrão. Jair Bolsonaro foi eleito presidente no segundo turno, mas no Rio Grande do Norte o candidato mais votado foi Fernando Haddad, que obteve 63,41% dos votos válidos no segundo turno, enquanto Bolsonaro ficou com 36,59%.

Quatro anos depois, o alinhamento voltou a ocorrer. Em 2022, Lula venceu a eleição nacional no segundo turno e também foi o candidato mais votado no Rio Grande do Norte (65,10%). Assim, a sequência potiguar não corresponde a uma mesma corrente política ao longo do período. O Estado acompanhou Collor, FHC, Lula, Dilma e, posteriormente, voltou a acompanhar Lula, em eleições marcadas por disputas e contextos políticos diferentes.

RN está acima da média do Nordeste
O índice de 89% também coloca o Rio Grande do Norte acima da média regional apresentada pelo levantamento. Considerando os nove estados nordestinos, a coincidência média é de aproximadamente 85%. Seis estados — Bahia, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe — registraram 89%, o equivalente a oito das nove eleições. Alagoas, Ceará e Pernambuco ficaram em 78%, correspondentes a sete coincidências em nove disputas.

O Nordeste, portanto, apresenta o maior percentual médio entre as cinco grandes regiões brasileiras, com 85%.

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