Abidene entra no jogo e testa a viabilidade de Parnamirim em Brasília
O ex-vereador Abidene Salustiano oficializou aquilo que já circulava nos bastidores da política potiguar: é pré-candidato a deputado federal pelo Podemos. O anúncio veio acompanhado de um gesto calculado. Em imagem divulgada nas redes, Abidene aparece ao lado da nominata do partido, sinalizando alinhamento interno e tentativa de demonstrar densidade política logo na largada.
A movimentação marca o início de uma caminhada que, embora antecipada, não será simples. Abidene construiu sua trajetória com forte atuação no interior do estado, onde mantém relações políticas consolidadas, presença constante e um discurso que dialoga com lideranças locais. Em municípios fora da Região Metropolitana, esse capital político costuma render dividendos eleitorais mais previsíveis.
O desafio, porém, está além dessa base. A disputa por uma vaga na Câmara Federal é marcada por campanhas caras, concorrência pesada e nomes já consolidados no cenário estadual. Converter apoio político em voto, e voto em quociente eleitoral, exige mais do que boa circulação e foto bem composta. Exige estrutura, articulação e narrativa clara.
É nesse ponto que a pré-candidatura de Abidene toca em um tema sensível: a histórica ausência de Parnamirim com representação efetiva em Brasília. Terceiro maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte, o município cresce em população, arrecadação e influência regional, mas segue sem voz própria na Câmara dos Deputados. Abidene tenta se apresentar como esse elo perdido.
Resta saber se a proposta ganha corpo suficiente para ultrapassar o discurso e se transformar em projeto competitivo. No xadrez eleitoral, largar cedo ajuda, mas não garante chegada. A pré-candidatura está posta. A partir de agora, o jogo passa a ser de consistência, números e capacidade real de disputa — longe do marketing fácil e perto da realidade das urnas.
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