Em meio à recuperação, Baobá do Poeta pode ganhar centro cultural em Natal

O terreno onde está o Baobá do Poeta, em Lagoa Seca, zona Leste de Natal, poderá abrigar um centro cultural com memorial dedicado à árvore centenária e à sua relação com o livro O Pequeno Príncipe. A proposta está em fase inicial e ocorre enquanto a planta passa por tratamentos técnicos para combater fungos identificados após a queda de um galho, registrada em maio do ano passado.

A ideia é criar um espaço cultural integrado à árvore, respeitando sua preservação e valorizando o simbolismo histórico e literário do baobá, segundo informações da Tribuna do Norte. O projeto arquitetônico está sendo desenvolvido por Felipe Bezerra, que informou que a apresentação do conceito deve ocorrer dentro de um prazo aproximado de 90 dias. A área tem 678 metros quadrados e pertence atualmente à Empresa Vila.

Segundo o arquiteto, o objetivo é conceber um centro cultural que “abrace” a árvore, com a possibilidade de um memorial voltado à história do baobá e ao acervo relacionado à obra de Antoine de Saint-Exupéry. Ainda não há definição sobre recursos financeiros, já que a execução dependerá da decisão da empresa proprietária do terreno.

Tratamento da árvore é prioridade

Antes da definição do projeto cultural, o foco está na recuperação do Baobá do Poeta. A Empresa Vila informou que a prioridade absoluta é o tratamento da planta, que apresentou uma grande cavidade interna, com acúmulo de matéria orgânica, umidade e presença de três tipos de fungos. Testes estão sendo realizados para identificar as técnicas mais eficazes de recuperação.

No fim de 2024, a árvore passou por uma poda que reduziu sua copa para cerca de seis metros, após episódios de instabilidade estrutural. De acordo com a empresa, o manejo inclui monitoramento constante, avaliações fitossanitárias periódicas e aplicação controlada de técnicas específicas, com foco na segurança do entorno e na preservação da planta.

O Baobá do Poeta ganhou esse nome por sua ligação com o professor e escritor Diógenes da Cunha Lima, que adquiriu o terreno em 1991 para evitar que a área fosse ocupada por um prédio residencial. Ele defende que a árvore teria inspirado Antoine de Saint-Exupéry durante passagem por Natal, em 1939, quando o escritor francês seguia viagem para a Argentina.

A teoria se apoja em elementos presentes no livro publicado em 1943, como ilustrações que remetem a dunas, falésias e vulcões, além da presença marcante dos baobás na narrativa. Para a Empresa Vila, independentemente do formato final, está garantido que o espaço será preservado e poderá se tornar um novo ponto de visitação cultural e histórica da capital potiguar.

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