Estudo aponta 9 ‘bolhas’ que dividem o eleitor brasileiro em meio à polarização política: ‘Voltamos ao mundo das tribos, diz Felipe Nunes
O Brasil voltou a viver uma lógica de “tribos” no ambiente político, impulsionada pelas chamadas bolhas digitais. A avaliação é do CEO da Quaest, Felipe Nunes, que apresentou, em entrevista ao Canal Livre, da Band, uma análise baseada em dados estatísticos que identificou nove grandes grupos que hoje ajudam a explicar o comportamento do eleitorado brasileiro.
Segundo Nunes, as bolhas digitais funcionam como tribos modernas: grupos quase fechados, que consomem as mesmas informações, dialogam entre si e reforçam visões semelhantes de mundo. A partir de uma bateria de 137 perguntas, o pesquisador aplicou um modelo estatístico capaz de agrupar eleitores por afinidades e afastamentos políticos, chegando à identificação de nove bolhas distintas no país.
De um lado do espectro político estão três grupos que, em geral, orbitam o campo do PT e do presidente Lula: os militantes de esquerda, a chamada classe dos dependentes do Estado (DIE) e os progressistas. Esses segmentos compartilham pautas e visões alinhadas ao projeto político petista.
No campo oposto, aparecem quatro grupos que tendem a se posicionar contra o PT: a extrema direita, o agro, o empresariado e os conservadores cristãos. Esses eleitores costumam se identificar com discursos antipetistas e valores mais conservadores na política e na economia.
Sobrando no centro do tabuleiro político estão dois grupos considerados decisivos e atualmente em disputa: os empreendedores individuais e os liberais sociais. Este último grupo, segundo Nunes, é formado em grande parte por eleitores que no passado se identificavam com o PSDB e que, historicamente, votaram contra o PT entre 1994 e 2018.
A mudança ocorreu na eleição de 2022, quando, motivados pelo receio de uma ruptura institucional ou de um golpe, muitos liberais sociais migraram, pela primeira vez, para o apoio a Lula. Para o CEO da Quaest, esse comportamento torna o grupo especialmente estratégico.
“Eles são os swing voters brasileiros”, destacou Nunes, ao recomendar atenção redobrada a esse segmento nas eleições de 2026. O desempenho de candidatos junto a esses eleitores pode ser decisivo para definir os rumos da próxima disputa presidencial.
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