Institutos potiguares comentam regras que estão em discussão para divulgação de pesquisas eleitorais
O diretor da Consult Pesquisa, Paulo de Tarso Teixeira, diz que “é favorável a algumas partes do que estão propondo e até a muito mais”. Primeiro, ele defende a permissão de pesquisas até a a sexta-feira, dois dias antes das eleições: “Sou favorável a que uma semana antes não seja publicada nenhuma pesquisa, porque estão usando como peça de marketing de candidato para influenciar o eleitor, porque queira ou não tem uma fatia do eleitor que é influenciada pela pesquisa”.
Quanto a acessos a questionários e planilhas, Paulo de Tarso Teixeira não vê problema nenhum, pois isso já existe na legislação. “Muitas vezes um candidato que não gosta do resultado de uma pesquisa, entra em contato com o Instituto e vê as planilhas, solicita pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e a gente manda”.
Na opinião de Teixeira, o que pode dar problema – “honestamente, não sei como vão fazer”, é com relação à exigência de se comprovar os acertos dos últimos cinco pleitos. “Eu vou comprovar para o TRE as pesquisas que foram registradas ou todas as pesquisas que fiz para os meus clientes, porque 80% das pesquisas são internas, essa parte tem que ser repensada”, disse ele.
No aspecto econômico, Paulo de Tarso Teixeira diz que essa discussão na afeta os institutos de pesquisa: “Tudo o que os institutos querem é que venha dar mais credibilidade às pesquisas, porque em todas as eleições identificamos muitos institutos clandestinos, que vêm para tumultuar os resultados de pesquisas”.
O diretor do Instituto Perfil, Felipe Figueiredo, disse que em relaçãoà divulgação de pesquisas eleitorais, em anos de eleições, o TSE sempre divulga resoluções sobre o tema, “e já há algum tempo vem proibindo a publicação de pesquisas de intenções de votos feitas no dia da eleição, a chamada “boca de urna”, só permitindo após às 17 horas com o encerramento da votação, como está no texto da reforma do Código Eleitoral”.
“O que houve foram mudanças nas pesquisas realizadas em datas anteriores ao dia das eleições, que poderiam ser divulgadas até no dia do pleito e agora só serão permitidas divulgações até a antevéspera do pleito eleitoral”, destacou Figueiredo.
Mas Figueiredo não concorda em parte com essa proibição: ““Isso é um direito do eleitor se manter informado, não vejo com bons olhos um impedimento nesse sentido”.
Quanto à apresentação de relatórios sobre índices de acertos, Figueiredo acha que “é a maior inovação trazida no texto aprovado na Câmara”, no entanto acredita que “é uma questão totalmente subjetiva, porque o processo eleitoral é muito dinâmico, muda muito rapidamente, um fato eleitoral ou político ocorrido na semana e às vezes na véspera de uma eleição, pode mudar o resultado de uma eleição”.
Figueiredo continuou, afirmando que “pesquisa é o retrato de um momento, então como é que a gente vai auferir onde estão os índices de acertos”.
Depois, acrescentou ele, “primeiro é preciso lembrar que existe uma margem de erro e uma pesquisa estando na margem de erro, ela está certa, às vezes o grande público só vê o resultado final e diz que não está batendo com uma pesquisa, mas não vê a margem de erro”.
Ele deu o exemplo de uma pesquisa que é feita dez dias antes do pleito e dá um resultado, “mas durante a semana ocorre uma movimentação política e isso muda, dez dias é muito tempo no processo eleitoral e sai o resultado diferente de uma pesquisa que foi feita dez dias atrás e no no dia posterior pode mudar muita coisa”.
Para ele, “essa questão do índice de acerto é uma coisa muito subjetiva, que vai ter de ser muito debatida pra ver quais serão os critérios para ver isso”.
Já o diretor do Instituto Agorasei Pesquisa, Josenildo Carlos, “há tempos existe uma sanha de setores da classe política, Judiciário e Ministério Público em ferir o Artigo 5º da Constituição, que em seu bojo diz que “é assegurado a todos o acesso à informação. Por eles a divulgação de pesquisas eleitorais deveria ser totalmente proibida”.
Josenildo Carlos opina que em relação a data limite para divulgação das pesquisas, “até a antevéspera do dia da eleição, não fará muita diferença e afetará pouco a maioria dos institutos”.
Quanto ao acesso do sistema de controle interno, mapas, planilhas e questionário, segundo Carlos, as regras anteriores já permitiam isso. “O que considero temeroso é o acesso de representantes de partidos e coligações à sede das empresas. Já houveram casos de tentativa de intimidação”.
Todavia, aponta Carlos, “a novidade esdrúxula neste novo Código Eleitoral, no que se refere às pesquisas eleitorais, é a exigência de os institutos informarem o percentual de acertos das pesquisas realizadas nas últimas cinco eleições”. Primeiro, segundo ele, “pesquisa mede a intenção de votos dos eleitores. Entre a intenção e o voto na urna pode, evidentemente, haver mudanças na cabeça do eleitor”.
Segundo, afirmou Carlos, “será injusto medir acertos em pesquisas que foram realizadas faltando uma, duas, três semanas e até um mês do dia da votação. Como diz o velho bordão: pesquisa é retrato do momento. E a intenção de voto do eleitor muda”.
Por fim, o diretor do Agorasei disse que o inciso VII do artigo 581, do novo Código Eleitoral, diz somente que, no registro das pesquisas, as empresas devem informar “o percentual de acerto das pesquisas realizadas pela entidade ou empresa nas últimas cinco eleições”. Mas medir por quais critérios de acerto? Pela margem de erro? Pelo simples acerto de quem foi o eleito? Vai se colocar nessa medição pesquisas que foram feitas há meses do dia da eleição?
Diretor da Smart Pesquisa, Tadeu Oliveira, declarou que as questões das pesquisas eleitorais, praticamente, se diferenciam em dois temas do Código das eleições passadas: período para divulgação até a antevéspera do pleito, questionável percentual de acertos.
“Para evitar julgamento apressado, os dois pontos mereciam mais atenção. É preciso observar o interesse de todos e não de alguns”.
Por exemplo, Oliveira disse acreditar que o instituto IPEC, com uma eficiente equipe técnica, dirigido pela estatística Márcia Cavallari, “ficaria impedido de divulgar pesquisa porque nasceu após o fim do Ibope Inteligente, em janeiro deste ano. Uma empresa nova no mercado não tem como apresentar portifólio de atividade em pesquisa eleitoral registrada no TSE – teria que esperar seis anos?”
Segundo ponto, informou Oliveira, na medida em que assegura divulgação até a antevéspera do pleito, o eleitor perde um importante canal de decisão: que é a informação. “Como se sabe, boa parte do eleitorado brasileiro toma posição sobre em quem vai votar justamente nos últimas dias que antecedem o pleito. A pesquisa eleitoral é um instrumento de informação”, avisou.
Por esse motivo, justificou Oliveira, a Smart Pesquisa de Opinião, opta por registrar pesquisa eleitoral contratado por veículos de comunicação social.
O estatístico Thiago Rodrigues da Smart Pesquisa afirma que “de uma forma geral discorda” com o que foi aprovado na Câmara dos Deputados, “mas tem um ponto que concorda, porque hoje em dia, infelizmente muitas pesquisas eleitorais tem sido usada como ferramenta de marketing, e mal utilizadas para divulgação de resultados inverídicos mais próximos das eleições e influenciar eleitores indecisos”.
Thiago Rodrigues também acha justo a proibição de divulgação de “boca de urna” antes do encerramento das eleições, coisa que já existe na legislação, mas que cresce de importância agora “no mundo atual em que a informação passa muito rápido e se tem uma pessoa na fila de votação e chega a informação de que um candidato está ganhando, isso realmente também pode influenciar o eleitor”.
Marqueteiros avaliam as implicaçõesOs profissionais que atuam no marketing político e eleitoral também estão atentos para as implicações das possíveis mudanças do Código Eleitoral na divulgação de pequisa de intenção de voto. O publicitário Alexandre Macedo analisa a questão das pesquisas eleitorais por dois ângulos diferentes: “O primeiro, segue a lógica do homem de comunicação que é contra qualquer cerceamento de informação ao eleitor, seja em que momento for. Já voltamos a votar há bastante tempo e o eleitor está, cada vez mais independente e consciente da sua liberdade de escolha”.
“Não podemos considerar que essa é uma verdade absoluta, mas é inegável o crescimento da conscientização popular diante da responsabilidade do voto”, continuou. Por outro ângulo, Alexandre Macedo diz que responde como cidadão. “Acho que aí surgem dois vilões: os maus políticos e os institutos de opinião que não usam a ética como regra. Refiro-me aos maus políticos e institutos de pesquisa que aceitam deturpar os seus trabalhos, o que, felizmente, me parece ser a minoria, mas prejudicam a boa maioria”.
“Explico: são os políticos os maiores consumidores das pesquisas e, se eles estão com medo da divulgação delas a qualquer tempo, é porque eles sabem que podem distorcer os resultados, quando contabilizados por institutos venais. E os institutos venais estão com medo dos seus iguais. Ou seja, quem faz das pesquisas um instrumento de mentiras e tentativas ilusionistas é quem está com medo de sofrer do mesmo veneno que usa”.
Para o publicitário Arthuro Arruda Câmara, antes de tudo, “não se pode esquecer que a pesquisa foi criada para ser uma importante ferramenta de orientação para auxiliar qualquer tomada de decisão político-eleitoral ou mesmo de comunicação”. Arthuro Arruda alertou que, “infelizmente, com o passar do tempo, as pesquisas passaram a ser usadas como instrumento indutor do voto útil (principalmente naqueles eleitorados menos instruídos). A partir de então, começaram as preocupações com a divulgação ”.
Segundo Arruda, “foi quando surgiu a exigência para registro na Justiça Eleitoral cinco dias antes da divulgaçã”.
Agora, com essa mudança aprovada pela Câmara, alertou ele, “esperam resolver o problema da influência que a divulgação de uma pesquisa causa diante do eleitorado. Na minha opinião, o que vai acontecer é apenas uma antecipação na corrida pelos números. Aquilo que acontecia até o dia da eleição, agora vai se restringir a antevéspera”. Por isso, Arthuro Arruda, “da mesma forma que não resolveu o problema quando exigiram que as pesquisas fossem registradas no TRE/TSE antes de serem divulgadas, também não vai mudar muita coisa o fato de restringir a divulgação nas últimas 48h antes do pleito. Botar a culpa nas pesquisas é a mesma coisa do marido traído culpar o sofá…”
Por Tribuna do Norte
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