O drama de 300 mulheres que precisam tirar contraceptivo com urgência

Cerca de 300 mulheres que fizeram implante do contraceptivo Essure pela Secretaria de Saúde do DF e tiveram problemas por causa do dispositivo estão há pelo menos dois anos aguardando a cirurgia de retirada do item. Até mesmo pacientes consideradas prioridade, com classificação “vermelha”, graças a constantes dores e até mesmo desenvolvimento de câncer, têm enfrentado dificuldades.

O único modo de retirar o Essure, que consiste em duas molas colocadas entre as trompas e o útero, é com a retirada total do órgão feminino por meio de uma histerectomia. Gleyce Cardoso, 35 anos, diz que aguarda o procedimento há quase quatro anos, mas os problemas são bem mais antigos.

Ela colocou o dispositivo em 2013 e já de início passou a sentir dores muito fortes, com o ciclo menstrual mudando completamente. “São dores perto da barriga, na pernas… Não consigo nem andar direito. Passo a maior parte do dia sentada ou deitada. Fora que engordei muito, todo mundo que me vê acha que estou grávida”, conta.

Desde então, Gleyce precisou sair do emprego que tinha e passou a buscar ajuda para retirar o Essure. Foram feitas diversas consultas na rede pública do DF, onde ouviu a promessa de que o nome dela iria para a regulação, e a remoção do útero poderia ocorrer a qualquer momento. “Eu vou nos postos de saúde, no entanto me falam que meu nome não aparece em fila nenhuma”, reclama.

Para piorar a situação, no início do ano ela foi diagnosticada com um câncer no útero. A mulher chegou a fazer a retirada de uma parte do órgão para evitar o crescimento do tumor, mas o médico que fez a cirurgia, por não conhecer o dispositivo, acabou não retirando as molas.

Gleyce acionou a Justiça a fim de tentar garantir a histerectomia, mas ainda aguarda resultado. Enquanto isso, ela segue convivendo com as fortes dores e o risco de o câncer crescer.

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