Lojistas da Americanas dobram preço para não vender na rede; um notebook chega a R$ 40 mil
Lojistas da Americanas começaram, desde ontem, a aumentar consideravelmente os seus preços nos sites da empresa para tentar impedir uma venda maior e ficar com recebíveis de cartões presos na companhia. A expectativa de pedido de recuperação judicial (RJ), hoje confirmada com a entrada dos documentos na Justiça, levou a esse movimento.
O Valor identificou essas mudanças após alterações em ofertas de produtos (como eletrônicos), cruzadas com informações dos próprios vendedores confirmando a decisão em grupos de mensagens voltados para discutir a crise na empresa.
O que pode parecer um contrasenso é reflexo da decisão de a empresa informar, antecipadamente, que analisava dar entrada em pedido de recuperação judicial, “nos próximos dias ou horas” —, após mencionar as ações dos bancos, na Justiça, buscando reter ou capturar recursos do caixa da rede.
Normalmente, as companhias não avisam de forma antecipada ao mercado que pretendem entrar com pedido de recuperação judicial, até para evitar reações deste tipo. Mas como a situação da empresa se deteriorou rapidamente nas últimas horas, a companhia teve que se manifestar publicamente antes de protocolar o pedido.
“Há ‘sellers’ [lojistas] colocando preços absurdos para não vender. Ele não desliga a loja, mas também não corre o risco de vender lá”, diz uma fonte.
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