Comissão aprova anistia para Dilma Rousseff e indenização de R$ 100 mil por tortura durante ditadura
A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos decidiu nesta quinta-feira 22, por unanimidade, conceder anistia à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) pela perseguição política e tortura que sofreu durante a ditadura militar. Além disso, tabém foi concedido uma indenização no valor de R$ 100 mil.
Em 2022, a Comissão de Anistia negou um pedido da ex-presidente para receber uma indenização de R$ 10,7 mil mensais.
Dilma foi presa em 1970, aos 22 anos, por integrar uma organização de resistência ao regime. Segundo sua defesa, foi submetida a sessões de tortura, impedida de retomar os estudos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pressionada a deixar um cargo público no Rio Grande do Sul por determinação do Serviço Nacional de Informações (SNI).
Durante a leitura do relatório, Rodrigo Lentz afirmou: “A cada transferência, eram novas torturas e sempre pelos mesmos fatos investigados. Foi condenada à prisão e teve direitos políticos cassados. Foi libertada depois de 13 anos. Teve que prestar novo vestibular e sendo obrigada a cursar novamente todas as disciplinas. Atrasou sua formação como economista.”
Ele prosseguiu: “Já no trabalho, era perseguida pelo passado de prisão e posição política. O exército divulgou uma lista de comunistas infiltrados, ela estava na lista e foi demitida do instituto de estatística. Após a redemocratização teve a condição de anistiada em quatro estados: Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.”
O pedido foi protocolado em 2002, mas teve a tramitação suspensa durante os períodos em que Dilma ocupava cargos públicos. Em 2016, ela solicitou a retomada do processo, que foi negado em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. A Comissão analisa agora o recurso apresentado por sua defesa.
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