Post usa dados fora de contexto para atacar vacina da gripe e é classificado como enganoso

É enganoso o conteúdo de um post do site Médicos pela Vida que alega que uma pesquisa feita nos Estados Unidos comprova a ineficácia da vacina contra a gripe e que o imunizante aumenta em 27% o risco de infecção. A informação distorce os dados de um estudo realizado com cerca de 50 mil profissionais de saúde da Cleveland Clinic, nos EUA, entre outubro de 2024 e janeiro de 2025.
O estudo analisou a incidência de gripe entre vacinados e não vacinados em um grupo composto majoritariamente por adultos jovens e saudáveis. O resultado apontou uma eficácia de -26,9% no grupo observado, mas os próprios autores afirmam que isso não significa que a vacina aumenta o risco de gripe, e sim que, naquele recorte específico, a proteção contra a infecção pode ter sido limitada.
O artigo em questão ainda não foi revisado por pares e está publicado como preprint — ou seja, em versão preliminar, sem validação científica formal. O próprio site onde o estudo foi divulgado alerta que tais publicações “não devem ser usadas para orientar a prática clínica”.
Além disso, o estudo não analisou casos graves, hospitalizações ou mortes por gripe, que são os principais indicadores de eficácia da vacina. Historicamente, a imunização tem mostrado forte impacto na redução desses desfechos.
A publicação enganosa foi verificada por veículos como Estadão, O Popular, Tribuna do Norte, Folha de S.Paulo, UOL e pela iniciativa Comprova. Segundo especialistas, a postagem comete cherry picking — ou seja, seleciona um dado isolado e o apresenta fora do contexto para desacreditar a vacinação.
Os autores da pesquisa afirmaram ao Comprova que os dados não devem ser interpretados como evidência de que a vacina causa mais gripe, e que a imunização continua sendo uma ferramenta eficaz para proteger a população, especialmente contra formas graves da doença.
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