Primeiro açude de combate a seca no país volta a ter água após 6 meses

Monumento do Império contra a seca de 115 anos de história, o Açude Cedro, em Quixadá, voltou a ter água depois de seis meses completamente vazio. Com capacidade para 125 milhões de m³, o equivalente a 50 mil piscinas olímpicas, a represa no coração do sertão cearense foi a primeira obra para o combate à seca no país.

Defasado e pequeno para a região, perdeu importância hidrológica, mas virou orgulho e ponto turístico emoldurado aos pés da Galinha Choca, uma formação rochosa de destaque no local.

O novo cenário, possível devido às chuvas acima da média que foram registradas mês passado no Ceará, representa apenas 710 mil m³ represados no açude — ou 0,7% do seu volume útil —, ainda assim simboliza esperança.

“Quem se identifica com a nossa história, sobretudo os mais velhos que cresceram no interior e têm identificação maior com a água, na verdade, com a falta dela, dá muito valor ao Açude Cedro”, conta Francisco Teixeira, secretário de Recursos Hídricos do Ceará.

Obra emblemática


A estrutura, que no ponto mais profundo chega a marcar 20 metros de altura, começou a ser erguida em 1884 por ordem de Dom Pedro II após uma grande seca que assolou o Ceará em 1877. A previsão era de que a obra fosse concluída em 1887, mas isso só ocorreu 1906, já na República.

No caminho, suspeitas de superfaturamento de um engenheiro inglês, acusado de gastar em excesso, de contratar desnecessariamente trabalhadores estrangeiros e de não seguir o projeto; mudanças da presidência da província do Ceará; e muita disputa entre trabalhadores e governantes.

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