Saúde pretende revacinar toda a população em 2022, diz secretário

Rodrigo Cruz disse que não faltará dinheiro para a aquisição de novas doses vacinas - Marcelo Camargo - 28.abr.21/Agência Brasi

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, disse, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que o governo pretende revacinar toda a população brasileira contra a covid-19 no ano que vem e que o ministro Marcelo Queiroga deve apresentar nos próximos dias um planejamento.

Segundo Cruz, que tem feito reuniões semanais com as farmacêuticas, além da compra de uma dose por pessoa, a ideia da pasta é garantir a opção de compra caso haja necessidade de uma nova revacinação.

“A gente conversa com laboratórios. A Europa e grande parte dos países que já fecharam contrato para o ano que vem têm ido com essa estratégia de reforço: revacinação com uma dose por pessoa”, disse o secretário.

Ele afirmou ainda que o ministério “está concluindo” sua estratégia sobre o tema.

Cruz disse ainda que não faltará dinheiro para a aquisição de novas doses vacinas, preocupação manifestada pelo presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) em razão da queda prevista no Orçamento para o combate à pandemia em 2022.

A principal mensagem que a gente precisa passar não só para o mercado, mas para a sociedade, é que o governo federal fez e fará todos os esforços para garantir a vacinação para todos os brasileirosRodrigo Cruz, secretário-executivo do Ministério da Saúde

A reportagem questionou o Ministério da Saúde se já há previsão de quando Queiroga anunciará o planejamento e aguarda retorno.

Na semana passada, Queiroga anunciou que idosos acima de 60 anos receberão uma dose de reforço da vacina contra a covid-19.

Até então, a Saúde havia anunciado a aplicação da terceira dose da vacina em idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos — pessoas com câncer ou transplantados, por exemplo — a partir do dia 15 de setembro. A pasta também aprovou a dose de reforço para profissionais da saúde, após seis meses da imunização completa. Alguns estados, no entanto, já haviam estendido a dose adicional para maiores de 60 por conta própria.

A aplicação da dose de reforço da vacina para este público é feita preferencialmente com o imunizante da Pfizer, mas também poderá ser feita com outra vacina de vetor viral, como da Janssen e da AstraZeneca.Pfizer e AstraZeneca já possuem registro definitivo na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Segundo o Valor, o Ministério da Saúde ainda definirá quais imunizantes serão utilizados no ano que vem.

Na semana passada, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que não há tratativas para o Ministério da Saúde adquirir mais doses da CoronaVac, para além das 100 milhões anteriormente contratadas. A vacina tem autorização para uso emergencial dada pela Anvisa, mas o Butantan ainda não enviou ao órgão regulador um pedido de registro definitivo no Brasil para o imunizante.

Questionado pelo jornal, Cruz disse que não iria “adiantar o anúncio de algo que não está definido”.

“É importante lembrar que o registro emergencial foi uma figura regulamentada durante a pandemia, porque não se tinha todos os elementos necessários para a aprovação do imunizante de forma completa, condicionando à entrega de mais informações para que a gente tivesse o registro definitivo.”

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