Secretário foi gravado negociando com facção dentro de presídio no RJ: ‘Se tiverem só 100 fuzis, o lucro é maior’
Preso nesta terça-feira (17) na Operação Simonia, o agora ex-secretário de Administração Penitenciária Raphael Montenegro foi gravado dentro de um presídio federal negociando com a alta cúpula do Comando Vermelho, a maior facção criminosa do tráfico de drogas do RJ.
“É mais barato para vocês não ter guerra. Se vocês não precisarem de 400 fuzis e tiverem só 100 para se defender, o lucro é maior, pô”, disse Raphael a um dos chefes encarcerados no Paraná.
Raphael e dois de seus subscretários foram presos pela Polícia Federal (PF) por suspeita de acordos de “trégua” com os chefes do Comando Vermelho, em troca de influência em comunidades e vantagens indevidas.
Montenegro foi exonerado, segundo decreto do governador Cláudio Castro (PL) publicado nesta terça-feira (17) no Diário Oficial.
Em maio, um pedido de visita de Raphael ao Presídio Federal de Catanduvas (PR) levantou suspeitas.
A justificativa dada pela Seap, segundo a PF e o Ministério Público Federal (MPF), foi colher informações para um relatório técnico sobre a possibilidade de retorno detentos fluminenses ao RJ. “O fato foi apontado como incomum pela corregedoria da penitenciária”, destacou o desembargador federal Paulo Cesar Espírito Santo.
A solicitação foi aceita, e a visita de Raphael, Wellington Nunes da Silva e Sandro Farias Gimenes — todos presos nesta terça — foi marcada para os dias 26 e 27. A força-tarefa, no entanto, já tinha obtido na Justiça autorização para instalar escutas ambientais e registrar os encontros.
Raphael Montenegro foi gravado negociando com vários líderes do Comando Vermelho, como Marcinho VP, FB, Claudinho da Mineira, Arafat e Marreta.
Segundo a decisão que determinou as prisões, Raphael propôs interceder pelo retorno dos chefes do Comando Vermelho para prisões no Rio a fim de que tivessem maior facilidade para comandar as atividades criminosas de dentro da cadeia.
Em troca, a cúpula da facção daria uma trégua em determinadas atividades criminosas — como a venda de crack. O objetivo seria fabricar uma falsa sensação de tranquilidade social.
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