Trecho da engorda que foi alagado passa por drenagem

As intensas chuvas que caíram sobre Natal na manhã de segunda-feira (14) causaram transtornos significativos na Praia de Ponta Negra, na área já finalizada da engorda. O extravasamento da rede de drenagem, que afetou a área entre os quiosques 8 e 15, provocou alagamentos, dificultando o fluxo de turistas e de quem trabalha na região. Durante a manhã desta terça-feira (15), foi possível averiguar que a água já não era mais visível no local.
De acordo com Thiago Mesquita, secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), a interconexão entre os pontos de drenagem 8 e 9 foi o principal fator para o alagamento. O ponto 9, que absorve uma grande carga hidráulica, apresentou problemas devido à conexão com o ponto 8, que não suportava o volume de água. Mesquita garantiu que o problema não envolvia esgoto.
“A área voltou à normalidade porque estamos, de forma mecanizada, estimulando o processo de infiltração no aterro. Essa é uma alternativa provisória até resolvermos de forma definitiva. A empresa já começou desde ontem a operar em turnos de 24 horas, se necessário até de madrugada, para acelerar o processo de drenagem”, explicou o secretário, sem definir prazo para a conclusão do reparo no sistema.
Para os trabalhadores da praia, como Rosângela de Souza, 50, proprietária de uma barraca na orla, a situação foi preocupante. Com 35 anos de experiência em Ponta Negra, ela relatou prejuízos consideráveis, ultrapassando R$1 mil. “Prejudicou todo mundo, ainda mais pelo cheiro. Hoje meu coração está mais aliviado em ver que a água não está mais aqui, mas isso prejudica muito o fluxo de clientes que a gente se prepara para receber”, desabafou.
A mesma preocupação foi expressada por Paulo Gersiu, 23, fotógrafo de turismo na praia desde 2020, que enfrentou dificuldades para registrar bons ângulos dos turistas. “As pessoas estavam perguntando como deixam nosso cartão-postal chegar a essa situação e com esse cheiro. Para quem trabalha com turismo, isso prejudica muito. É ruim lidar com essa situação”, afirmou. Apesar das queixas sobre o mau cheiro, Thiago Mesquita destacou que a água que ocupava parte da faixa de areia não era esgoto, mas sim predominantemente água de chuva.
Caern
Após denúncia do secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, Thiago Mesquita, sobre esgoto perto da engorda na praia de Ponta Negra, o diretor-presidente da Caern, Roberto Linhares, rebateu as declarações e esclareceu que a água no local não é proveniente do sistema de esgotamento sanitário da companhia.
Em nota, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) afirmou que não há extravasamento de esgoto na área operada pela empresa.
Em vídeo divulgado na segunda-feira (13), Roberto Linhares apontou a possibilidade de ligações clandestinas no sistema de drenagem pluvial como a causa do odor. “O senhor [em referência ao secretário da Semurb] sabe que aquele cheiro é causado por ligação clandestina de esgoto, e essa ligação clandestina é responsabilidade de quem, secretário? Do município, que tem poder de polícia para fiscalizar e tamponar, e que conta com a nossa parceria para solucionar esses problemas”, afirmou Linhares.
Banheiros geram críticas
A precariedade dos banheiros públicos na orla da Praia de Ponta Negra também é motivo de reclamação de quem frequenta a região. Na área próxima ao extravasamento da rede, três banheiros incomodam pelo forte odor e estão inutilizados devido a portas vandalizadas e falta de limpeza.
Roberta Ferreira, 44, turista de Belo Horizonte, se surpreendeu com as condições dos banheiros. “Gostamos de tudo que visitamos, mas essa parte precisa de um cuidado melhor. Até reclamei na hora, porque é um mau cheiro muito forte. É horrível isso”, disse.
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) informou que a praia conta com seis banheiros, três deles já reformados e sob responsabilidade dos permissionários de quiosques para limpeza. Os outros três devem passar por requalificação. Após a conclusão do projeto da engorda, a prefeitura planeja reurbanizar a orla, incluindo novos banheiros públicos. A pasta também solicitou ações mais firmes das forças de segurança para coibir vandalismo ao patrimônio público.
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