A igrejinha resiste: Os últimos sinais da velha Barra de Santana antes de sumir no mar d’água da barragem de Oiticica; Vídeo

A antiga comunidade de Barra de Santana, no interior do RN, vai, pouco a pouco, se despedindo da paisagem que marcou gerações. Com o avanço das águas da Barragem de Oiticica, o que antes era chão batido, casas simples e memórias vivas, agora se transforma em um vasto espelho d’água. A mudança não é apenas geográfica — é também emocional. O que fica é a lembrança de um lugar que resistiu ao tempo, mas que agora cede espaço a um projeto maior, que promete segurança hídrica para toda a região do Seridó.

Nas imagens captadas pelo fotógrafo Jorge Luiz, a força desse contraste ganha forma. De um lado, a beleza quase hipnotizante das águas que avançam, refletindo o céu e desenhando novos horizontes. Do outro, a dor silenciosa de quem viveu ali e agora observa a antiga igrejinha desaparecer, engolida lentamente pelo reservatório que chega para ficar. Cada frame carrega um pedaço da história que se despede — ruas, casas e afetos que hoje repousam sob a superfície.

Enquanto isso, os antigos moradores recomeçam em uma nova Barra de Santana, construída em um ponto mais alto e com infraestrutura moderna. Casas planejadas, água encanada, saneamento e espaços públicos organizados marcam uma realidade antes distante para muitos. É um recomeço digno, mas que não apaga o vínculo com o passado.

A Barragem de Oiticica se consolida como um dos maiores reservatórios do estado, símbolo de desenvolvimento e esperança em meio ao semiárido. Ainda assim, sob suas águas tranquilas, permanece viva a memória de uma comunidade inteira — agora invisível aos olhos, mas eternizada na história e nas imagens que resistem ao tempo.


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