Aprovação de Lula chega a 49% e volta a superar desaprovação, aponta Datafolha

Nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra que a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuou dois pontos percentuais, para 48%, em relação ao levantamento da semana passada. Já a aprovação oscilou um ponto para cima, chegando a 49%. Com isso, a aprovação superou numericamente a desaprovação pela primeira vez desde o início da campanha eleitoral, em meados de agosto. Ambos os percentuais, no entanto, estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro. Outros 2% não souberam responder, um ponto a menos que o observado no último dia 15.

O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo. O Datafolha ouviu 2.154 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-09709/2026.

Em abril, a desaprovação ao petista foi a 51% e abriu a maior vantagem em relação à aprovação deste ano, de seis pontos percentuais. Desde então, a parcela daqueles com avaliação positiva voltou a subir e, em julho, chegou a ultrapassar a desaprovação numericamente, marcando 49% contra 48%. Depois, porém, no fim de agosto, gestão voltou a ser reprovada pela maioria.

Em termos de avaliação do governo, 39% dos eleitores classificam o atual como ruim ou péssimo, um recuo de dois pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, no limite da margem de erro. Para 36%, é considerado ótimo ou bom, um ponto a mais que na semana passada. Outros 24% avaliam como regular, uma oscilação também de um ponto para cima. 1% não souberam responder.

O Datafolha mostra um cenário de estabilidade dentro da margem de erro desde o primeiro turno das eleições, em que o atual presidente ficou em segundo lugar com 45,16% dos votos válidos, atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), que alcançou 47,03%. Para o segundo turno, a pesquisa divulgada nesta quinta-feira projeta que os dois estão empatados com 50% dos votos cada. Os percentuais também consideram apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos.

A desaprovação ao governo Lula, porém, se mantém elevada mesmo após uma série de medidas para aumentar a popularidade da gestão e buscar uma virada inédita no próximo domingo. Na reta final desse segundo turno, o petista conseguiu a aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional, enviou uma proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana e anunciou um pacote de benefícios para microempreendedores individuais (MEIs), que envolve o perdão a dívidas.

Além disso, disse que vai implementar o programa Pé-de-Meia para estudantes de universidades públicas e do Prouni com bolsas de R$ 700 ao longo de dez meses.

Antes do primeiro turno, o mandatário já vinha implementando medidas do tipo. Em setembro, o chefe do Executivo aumentou o valor do Bolsa Família em 15%, para R$ 691, que passou a valer a partir de outubro. Uma semana depois, o presidente também proibiu a atuação das plataformas de apostas online, as bets, no Brasil.

Segundo uma pesquisa Quaest, o veto às bets tem o aval de 62% da população do país — soma dos 40% que sabiam da decisão e a apoiam com os 22% que não sabiam, mas a consideram uma boa ideia. No caso do reajuste do Bolsa Família, 59% aprovam, soma dos 45% que tinham conhecimento do aumento e 14% dos que foram informados pela própria entrevista.

Outra medida do presidente apoiada pela maioria do eleitorado foi o movimento para incorporar os medicamentos para diabetes e obesidade conhecidos como canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a pesquisa Quaest, a proposta alcança 58% de avaliação positiva, com 38% previamente informados sobre a novidade e 20% que ainda não a conheciam.

Na reta final antes do primeiro turno, o governo Lula anunciou ainda o Desenrola 3.0, programa que mira acabar com até R$ 150 bilhões em dívidas das famílias brasileiras. A proposta é que a União compre com desconto mínimo de 90% as dívidas das instituições financeiras credora e repasse esse desconto para os devedores, que poderão quitar a dívida à vista ou parcelar o saldo remanescente.

Ainda assim, os movimentos feitos pela gestão petista parecem não ter produzido o efeito esperado na disputa presidencial.

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