Fome no Brasil afeta em dobro os lares liderados por pessoas negras
A fome no BRasil afeta cerca de uma em cada cinco famílias chefiadas por pessoas autodeclaradas pardas ou pretas. Essa taxa é o dobro daquela encontrada em lares chefiados por pessoas brancas, que é de 10,6%. A situação é ainda mais preocupante quando se observa o recorte de gênero: 22% das famílias lideradas por mulheres autodeclaradas pardas ou pretas sofrem com a fome, quase o dobro da proporção de famílias comandadas por mulheres brancas, que é de 13,5%.
Os dados foram obtidos pelo recorte de raça e gênero do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (VIGISAN), pesquisa que teve os primeiros resultados publicados em junho de 2022. Os números revelados pelo VIGISAN, uma iniciativa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), em parceria com o Instituto Vox Populi e o apoio de diversas organizações, trazem uma dimensão mais precisa da fome no Brasil.
Em 2022, aproximadamente 33,1 milhões de pessoas no país enfrentaram a insegurança alimentar. O recorte por raça e gênero demonstra que muitas dessas pessoas vivem em lares chefiados por mulheres negras, que se autodeclaram pardas ou pretas de acordo com a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“A situação de insegurança alimentar e fome no Brasil, que foi exposta ao mundo pelo VIGISAN em 2022, ganha ainda mais clareza agora. A escassez de alimentos e a fome são mais prevalentes entre famílias chefiadas por pessoas negras, especialmente mulheres negras. É urgente reconhecermos a interseção entre o racismo e o sexismo na estrutura social brasileira e implementar políticas públicas que promovam a equidade e garantam um acesso amplo, irrestrito e igualitário à alimentação”, destaca a professora Sandra Chaves, coordenadora da Rede PENSSAN.
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