Ministros disputam poder e elegem chefe da Casa Civil como alvo principal
Amigos de longa data de Lula dizem que o presidente está cansado e sem disposição para lidar com os assuntos do dia a dia da administração. Desde o início de seu terceiro mandato, o petista demonstra entusiasmo com poucas iniciativas, como espicaçar adversários e recuperar a imagem internacional do Brasil, reduzido à condição de pária na gestão de Jair Bolsonaro.
Essa postura de certo distanciamento — surpreendente para um político reconhecidamente centralizador — tem contribuído para uma série de problemas. Um deles é a desorganização na articulação política do governo e a dificuldade para a formação de uma base de apoio no Congresso. Outro é o florescimento de uma rede de intrigas e conspirações no entorno do presidente, que mesmo para os padrões do PT, partido acostumado ao fogo amigo, chama atenção. Com apenas cinco meses de governo, atores influentes no Palácio do Planalto, na Câmara dos Deputados e na máquina partidária petista já pregam a demissão do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Motivo: o capitão do time, o ocupante do cargo mais poderoso da Esplanada, é convenientemente responsabilizado por quase tudo o que deu errado até agora.
Longe dos holofotes, a artilharia em Rui Costa cresceu tanto que levou o presidente a defendê-lo publicamente. Num evento, Lula disse que o ministro toma conta do governo, numa daquelas demonstrações de força pensadas para acudir quem está em clara situação de fragilidade. Foi uma intervenção providencial, já que Rui Costa tem poucos aliados e muitos desafetos em Brasília.
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