Como o mercado financeiro vê a candidatura de Bolsonaro

Se recentemente a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), foi ironizada por ter se confundido e enxergado apoio ao ex-presidente Lula em manifestação popular em jogo de futebol ou em uma música do carnaval, tem gente no mercado financeiro dizendo que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) também exagerou ao ler a salva de aplausos que recebeu em evento do mercado financeiro como um sinal de apoio dos banqueiros e operadores às suas ideias sobre a economia. 

O deputado foi um dos palestrantes de um seminário promovido pelo banco de investimentos BTG Pactual no dia 6 de fevereiro, fechado para a imprensa e restrito a grandes nomes do mercado financeiro brasileiro, sem qualquer registro público de vídeo ou áudio. Comentário na imprensa no dia seguinte à conferência dava conta de que o deputado teria sido “a estrela” do dia, por ter sido aplaudido e ter recebido pedidos de fotos. Mas relatos de pessoas presentes ao evento colocam em questão essa interpretação, de que os aplausos representariam aval ou apoio do mundo financeiro ao militar. 

“Mais de mil pessoas do mercado, bem como toda a mídia de São Paulo. Fui aplaudido várias vezes, em especial no final da entrevista”, disse Bolsonaro em vídeo divulgado no seu Twitter. 

Um participante do evento afirmou, em condição de anonimato, que os aplausos teriam sido “normais”. Segundo o relato, muitos dos espectadores do debate de Bolsonaro estariam até “achando graça” do jeito despachado e direto do pré-candidato à presidência da República. 

“Não acredito que seja um candidato que o mercado leve a sério”, concluiu o participante do evento, que atua no setor financeiro. 

A economista Elena Landau, que integra o Conselho Acadêmico da Fundação Indigo (ligada ao grupo político Livres) e adota posição crítica sobre as propostas de Bolsonaro, afirmou que não viu na manifestação de palmas ao deputado durante o evento um apoio às suas ideias, mas sim uma deferência a um homem público. 

“Não teve nada de aplaudido, ovacionado. Quando se convida alguém que é candidato, as pessoas batem palmas. E tinha gente de pé, a palestra estava cheia”, afirmou Elena. 

O analista de investimentos Ricardo Schweitzer – cujo artigo publicado no começo de 2017 sobre a então distante possibilidade de uma candidatura de Bolsonaro foi utilizado por apoiadores do deputado como um libelo de apoio do mercado financeiro ao parlamentar, afirmou que o relato de uma suposta empolgação adicional nas palmas não foi unanimidade. “Colhi comentários de quem estava no evento. Teve mesmo um aplauso, mas a depender de quem relata temos uma leitura diferente se foi uma coisa mais protocolar ou mais engajada”, contou.  

Não que o mercado financeiro tenha algo contra Bolsonaro, mas ainda há muito que o deputado tem de mostrar para conseguir apoio dos banqueiros e investidores. Na avaliação de Schweitzer, nos últimos meses o mercado pelo menos deixou de ver o deputado como um cenário completamente improvável, o que veio na esteira da divulgação de pesquisas de intenção de voto com grande recall do nome do militar. 

“Lá atrás havia negação no mercado sobre a possibilidade do Jair (Bolsonaro) ser um candidato viável eleitoralmente. Não se falava no assunto, era de fato tida como cômica a possibilidade de ele ter eleitorado significativo e ter chances reais na corrida de 2018. A candidatura não é mais uma piada de bar, temos de ouvir o que esse cidadão tem a dizer, mas continuamos vivendo em um mundo cor de rosa, na qual a eleição vai ser vencida por um candidato ideal mas que não apareceu. O mercado sonha com um candidato com o arquétipo do Henrique Meirelles [ministro da Fazenda]”, avalia. 

Gazeta do Povo

1 Comentário

RANIERI

fev 2, 2018, 11:14 am Responder

É melhor Jair se acostumando. Bolsonaro presidente 2018

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