Construção civil movimenta R$ 522,5 bilhões e emprega 2,5 milhões no Brasil, aponta IBGE

Com 191 mil empresas em atividade, a indústria da construção gerou R$ 522,5 bilhões em obras, incorporações e serviços ao longo de 2024. O setor empregou 2,5 milhões de trabalhadores e desembolsou R$ 95,6 bilhões em salários, segundo levantamento divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (10).

As obras de infraestrutura lideraram a geração de receita no setor, respondendo por R$ 200,9 bilhões, o equivalente a 38,4% do total. Em seguida aparecem a construção de edifícios, com R$ 198,9 bilhões (38,1%), e os serviços especializados para construção, que movimentaram R$ 122,8 bilhões (23,5%).

Peso das obras públicas

Um dos destaques do levantamento é a forte participação do poder público na atividade. Do valor total gerado pela indústria da construção, 33% tiveram origem em demandas governamentais. No segmento de infraestrutura, essa participação chegou a 48,2%, representando quase metade dos investimentos realizados.

Segundo o gerente da pesquisa, Marcelo Miranda, os dados evidenciam a importância das obras de infraestrutura para a construção civil e o papel relevante do setor público nesse mercado.

Construção de edifícios concentra mais empregos

Apesar de ocupar a segunda posição em valor gerado, a construção de edifícios foi o segmento que mais empregou trabalhadores, concentrando 35,7% do total de pessoas ocupadas no setor. Os serviços especializados responderam por 34,4% dos empregos, enquanto as obras de infraestrutura reuniram 29,9%.

Salários chegam a 2,6 mínimos

A pesquisa também mostrou que os salários médios da construção civil permanecem relativamente baixos. A remuneração média do setor foi equivalente a 2,1 salários mínimos por mês.

As empresas de infraestrutura registraram os maiores salários, com média de 2,6 salários mínimos. Na construção de edifícios, a remuneração média foi de 1,9 salário mínimo, enquanto os serviços especializados pagaram 1,8 salário mínimo.

Rodovias e obras urbanas lideram ranking

Entre os tipos de obras, a construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais liderou o ranking, representando 22,8% do valor total gerado pela indústria da construção. As obras residenciais aparecem em seguida, com participação de 22,2%.

Sudeste concentra metade da atividade

Regionalmente, o Sudeste concentrou quase metade da atividade do setor, respondendo por 49,4% do valor gerado e por 50% dos empregos da construção no país.

O Nordeste ocupou a segunda posição em participação no valor das obras e serviços, com 17,9%, seguido pelo Sul, com 17%. Centro-Oeste e Norte responderam por 9,1% e 6,5%, respectivamente.

Os dados fazem parte da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2024. Esta edição marca o início de uma nova série histórica das pesquisas econômicas do IBGE devido à substituição da RAIS pelo eSocial como principal fonte administrativa para atualização do Cadastro Central de Empresas.

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