Derrota de Flávio encerra mandato no Senado em 2027; investigações podem seguir no STF

Derrotado por Lula (PT) na eleição presidencial deste domingo (25), Flávio Bolsonaro (PL) deixará o Senado em fevereiro de 2027, quando terminar seu mandato. Se não assumir outro cargo eletivo até lá, ficará sem mandato pela primeira vez desde 2002, quando iniciou a carreira política como deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio foi reeleito para outros três mandatos na Assembleia Legislativa do RJ (Alerj) e, em 2018, conquistou uma vaga no Senado.
Na disputa presidencial deste ano, recebeu 59,8 milhões de votos, o equivalente a 48,21% dos votos válidos. Lula, por sua vez, conquistou 64,3 milhões de votos (51,79%), garantindo seu quarto mandato como presidente da República.
Após a divulgação do resultado, F classificou a eleição como uma “sacanagem”, afirmou ser “impossível” reconhecer a derrota e declarou que tentará anular o pleito.
Inconformado com o resultado do segundo turno, Flávio classificou a eleição como uma “sacanagem”, disse ser “impossível” reconhecer a derrota, repetindo o gesto do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que tentaria anular o pleito.
O que acontece com as investigações no STF
O fim do mandato e do foro privilegiado não significa, necessariamente, que as investigações contra Flávio Bolsonaro deixarão o Supremo Tribunal Federal (STF). A permanência dos casos na Corte depende da natureza dos fatos apurados e da relação deles com o exercício do cargo.
Em março de 2025, o STF decidiu que casos envolvendo crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções públicas podem continuar na Corte mesmo após a saída do agente público. A regra também vale quando o inquérito é aberto depois do fim do mandato.
Flávio é investigado em dois casos que envolvem suspeitas de irregularidades financeiras.
Uma delas apura suspeitas de irregularidades no financiamento de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Segundo documentos da investigação divulgados pela imprensa, Flávio negociou recursos com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master.
Os valores mencionados nas reportagens chegam a cerca de R$ 131 milhões, dos quais aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido pagos.
Os documentos citados nas reportagens também apontam uma empresa ligada ao pastor da Igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, na movimentação dos recursos. A origem e o destino dos valores são pontos da apuração.
>> Receba notícias do NOVO em tempo real pelo WhatsApp
A segunda investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Reportagens baseadas em documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) apontam que Flávio aparecia como “usuário master” de uma conta bancária vinculada a uma empresa ligada ao advogado.
Segundo a PF, o perfil permitia acesso amplo à conta e é um dos elementos que levaram os investigadores a apurar uma possível participação de Flávio na empresa. Isso, por si só, não comprova que ele fosse sócio do negócio.
Flávio negou ter esse tipo de acesso à conta. Tomaz também negou a existência de negócios com o senador.
24 anos em cargos eletivos
Antes de ser senador, Flávio passou quatro mandatos consecutivos como deputado estadual, em 2002, 2006, 2010 e 2014. Em 2016, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas perdeu a eleição.
No Senado, dois projetos de autoria de Flávio foram transformados em lei, segundo o levantamento da reportagem do ICL Notícias. Já o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral passou de R$ 1,7 milhão, em [ano inicial], para R$ 8,1 milhões, em [ano final].
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reconheceu a votação recebida pelo colega. “Um colega senador disputou e teve 60 milhões de votos, e isso não é pouca coisa. Nosso reconhecimento incondicional à vontade do povo nas urnas”, declarou.
Escreva sua opinião
O seu endereço de e-mail não será publicado.