Diagnóstico do Tesouro Nacional e quebra de confiança foram decisivos para não assumir Governo do RN, afirma Walter Alves
O presidente do MDB no RN, Walter Alves, afirmou no início da noite desta quinta-feira (7) que o diagnóstico financeiro feito pela Secretaria do Tesouro Nacional, órgão do Ministério da Fazenda, foi decisivo para ele não assumir o Governo do RN, substituindo a governadora Fátima Bezerra.
De acordo com os dados, que são repassados pelos próprios executivos estaduais, o RN tem a segunda pior situação financeira do Brasil: o Estado fechou 2025 com R$ 3 bilhões em dívidas, sem ter esse dinheiro para pagá-las.
Além desse déficit, o Tesouro Nacional apontou que o RN não cumpre o limite de gastos com pessoal exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O governo do Rio Grande do Norte gastou 56,41% da receita corrente líquida (RCL) com folha de pagamento, ultrapassando o limite máximo no Poder Executivo estadual, que é de 49%.
A explicação foi dada em entrevista que Walter concedeu ao Jornal das 6, na 96 FM. “Se você der um Google aí agora: ‘situação fiscal do Rio Grande do Norte’, vai ver. O Rio Grande do Norte virou de 2025 para 2026 com R$ 3 bilhões em dívidas. ‘Ô, Walter, é da sua cabeça esse dado?’ Não. São dados oficiais da Secretaria do Tesouro Nacional”, afirmou.
‘É narrativa sua Walter? Narrativa minha, não. Narrativa do Tesouro Nacional. Pode dar um google. Se eu assumisse, iam jogar tudo no meu colo. Mas eu, com minha equipe, detectei isso”, acrescentou.
Walter Alves explicou ainda que durante as tratativas relacionadas à possível transição do Executivo sentiu que houve uma quebra de confiança por parte do PT. Ele explicou que isso aconteceu quando em uma das reuniões ele questionou sobre o dinheiro para pagar a dívida dos consignados.
“Eu tinha uma informação que a dívida era de mais de R$ 360 milhões, como de fato é. E na época minimizaram. Aí eu vi que não estava existindo confiança. Quebrou a confiança. E numa relação como essa é preciso ter confiança”, contou.
E acrescentou: “Então, eu não vou arriscar a história de meu pai (Garibaldi Alves Filho), a minha história, a minha ficha limpa — não tenho processo — e não vou ser conivente com a situação que aí está”.
Ele lembrou que o Rio Grande do Norte é também o pior estado do Brasil com relação aos limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “O Rio Grande do Norte é o único do Brasil em 56%”, explicou, acrescentando que o limite legal é 49% com gastos de pessoal.
“Se eu assumisse, seria conivente. E o cidadão ia dizer: ‘você assumiu porque quis’. Então eu troquei a foto de governador para recomeçar minha vida pública. Agora, eu não ia pegar uma dívida de R$ 3 bilhões. Os sindicatos iam dizer: “Você é o governador, dá teus pulos”, esclareceu.
O presidente do MDB explicou que além dos estudos que pediu para fazerem também viu outras análises de entidades como a Federação do Comércio (Fecomércio) e da Federação das Indústrias (Fiern) e os números batiam. Em Brasília, inclusive, ele apresentou os dados à presidência do MDB nacional e recebeu o apoio à sua decisão de não assumir.
Walter Alves defendeu que a partir de agora o foco é tentar resolver essa situação e aproveitar as oportunidades que o Rio Grande do Norte possui. Ele também falou que, caso assumisse, teria apenas 8 meses, enquanto que o próximo governador terá pelo menos 4 anos. “O próximo governador vai precisar ter coragem para reorganizar o estado do Rio Grande do Norte”‘, apontou.
Eleições 2026
Com relação às Eleições deste ano, na qual pretende disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, ele disse que a nominata do MDB está consolidada e apresenta grandes chances de fazer até três deputados estaduais.
“O MDB tem essa força toda e é por isso que eu estou muito confiante”, assegurou.
Walter informou ainda que após oficializar sua decisão tentaram tirar dele a presidência do partido no RN, mas não conseguiram. E que atualmente tentam sabotar a nominata que ele trabalha para o partido. “Guerra é guerra. Mas o MDB é muito forte”, asseverou.
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