Idosa morre após complicações causadas por ciguatera em Natal

A idosa Maria das Dores do Nascimento Batista, de 84 anos, morreu nesta segunda-feira (25) após quase um mês internada por intoxicação causada pela toxina ciguatera, encontrada em peixes contaminados.
Ela deu entrada no hospital no dia 26 de abril, depois de consumir um peixe durante um almoço em família, em Natal. O alimento teria sido comprado em uma feira livre da capital potiguar.
Além da idosa, outras quatro pessoas da mesma família também passaram mal após comer o peixe conhecido como “bicuda”. Todos precisaram de atendimento hospitalar.
No dia 27 de abril, a Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte confirmou os cinco casos de intoxicação por ciguatera.

O estado é o único no pais a fazer a notificação para a ciguatera.
Desde 2022, o Rio Grande do Norte vem registrando surtos de ciguatera, uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxina.
Na série histórica de casos de intoxicação registrados entre 2022 e 2025, foram notificados surtos e casos isolados envolvendo diferentes espécies de peixes, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado.
Sintomas
Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou meses.
De acordo com a Nota Técnica da Sesap, as principais recomendações à população são:
- procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas;
- identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária;
- e evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.
As equipes de Saúde devem notificar os casos suspeitos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), à Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria Estadual de Saúde (CIEVS, CIATOX/RN, Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária).
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.
Ciguatera
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu. Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros. Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.
As ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Não existe tratamento específico ou antídoto para a Ciguatera. O manejo baseia-se em medidas de suporte e tratamento sintomático, incluindo hidratação, analgesia, controle de náuseas e acompanhamento clínico.
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