Irmã de Cadu classificou o PT como “corrupção e safadeza”; família do candidato tem histórico bolsonarista
A irmã mais velha do candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT), Nanidja Cristina Xavier, já fez críticas públicas ao partido pelo qual o irmão disputa o segundo turno das eleições. Em 16 de março de 2016, ela publicou no Facebook uma imagem com a palavra “luto” sobre a estrela do PT, acompanhada da expressão “corrupção e safadeza”. Uma semana depois, em 23 de março, voltou a compartilhar uma manifestação de descontentamento, desta vez com a bandeira do Brasil e a inscrição “luto”.
As publicações ocorreram em meio à crise política que atingia o governo Dilma Rousseff, marcada por manifestações contra o PT, pelo avanço da Operação Lava Jato e pela nomeação do então ex-presidente Lula para a Casa Civil. Dez anos depois, o posicionamento público de Nanidja em relação à candidatura petista é diferente. Em agosto de 2026, ela adotou nas redes sociais a moldura de campanha “Tô com Cadu de Lula 13”, acompanhada da legenda “Cuida! Nesse você pode confiar!!”.
O contraste entre as publicações de 2016 e o apoio manifestado em 2026 chama atenção especialmente porque Cadu fez da associação com Lula um dos principais elementos de sua campanha. O candidato ingressou oficialmente no PT em 14 de junho de 2021, após atuar como técnico na administração da governadora Fátima Bezerra.
As manifestações contrárias ao partido também aparecem nas redes sociais de outros integrantes da família. O sogro do candidato, Ubiratan Jácome, seguido por Cadu no Instagram, compartilhou uma publicação que ironiza Lula e medidas adotadas pelo governo federal. Já o primo Carlos Alberto Sousa manifesta apoio a Jair Bolsonaro desde 2020 e, na reta final das eleições, passou a divulgar publicações favoráveis à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (22), além de críticas ao PT e ao presidente Lula.
Em uma fotografia utilizada nas redes sociais, Carlos Alberto aparece vestindo uma camisa com o rosto de Jair Bolsonaro e a inscrição “Bolsonaro Presidente”, enquanto faz com a mão o gesto de arma, símbolo associado ao ex-presidente e difundido entre seus apoiadores.
Embora as posições políticas de familiares não representem necessariamente as convicções de Cadu Xavier, as publicações evidenciam diferenças entre a identificação partidária defendida pelo candidato e as manifestações de pessoas de seu círculo familiar. No caso da irmã, a mudança é mais evidente: depois de associar publicamente o PT à corrupção em 2016, Nanidja passou a apoiar uma candidatura do próprio partido, encabeçada pelo irmão.
A diferença entre as manifestações ocorre justamente quando Cadu concentra sua estratégia eleitoral na vinculação de sua imagem à de Lula. O histórico das publicações expõe uma distinção entre o apoio pessoal ao candidato e a identificação com o partido que ele representa.
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