Lula chamava Cármen Lúcia de “falsa humilde”, Fachin de “FDP” e Luiz Fux de “Cachorro Pidão” e “Canalha” na prisão, diz carcereiro em livro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria feito duras críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que foram indicados por ele próprio ou por sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), durante os 580 dias em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019. Os episódios são relatados pelo policial federal Jorge Chastalo Filho no livro Banho de Sol – Os 580 dias de Lula na prisão, lançado nesta terça-feira (3).

Segundo o ex-agente, que acompanhou diariamente a rotina do então ex-presidente, Lula demonstrava decepção e ressentimento com decisões judiciais que contrariavam seus interesses. Entre os principais alvos estavam as ministras Cármen Lúcia e os ministros Edson Fachin e Luiz Fux.

Em um dos diálogos reproduzidos na obra, Lula teria chamado Cármen Lúcia de “falsa humilde”. O petista recordou uma conversa que teve com a então ministra, em 2006, quando ela buscava apoio para ser indicada ao STF. Segundo o relato, ela teria contado que seu primeiro brinquedo foi uma boneca de sabugo, lembrado as mãos calejadas do pai e falado sobre a importância da gratidão.

“E eu caí nessa!”, teria afirmado Lula a Chastalo, demonstrando irritação com a postura da ministra. Em outro momento, ao comentar decisões desfavoráveis, teria chamado Cármen de “miserável”.

Críticas a Fachin e Fux

O ministro Edson Fachin também teria sido alvo de palavras duras. De acordo com o livro, Lula o chamou de “filho da puta” depois que o magistrado retirou de pauta um julgamento de habeas corpus apresentado pela defesa, que poderia abrir caminho para sua libertação.

Lula teria afirmado que não confiava em Fachin e recordado que a indicação do ministro ocorreu durante o governo Dilma Rousseff, após a ex-presidente consultar o antecessor sobre o nome.

Já Luiz Fux teria recebido críticas depois de suspender uma autorização concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski para que Lula concedesse entrevistas aos jornais Folha de S.Paulo e El País, em 2018. Segundo os relatos publicados, o petista o chamou de “cachorro pidão” e “canalha”, em referência também à aproximação que Fux teria mantido com o governo quando buscava uma vaga no Supremo.

Os bastidores de 580 dias de prisão

O livro tem 592 páginas e foi publicado pela WMF Martins Fontes. A obra reúne registros feitos por Chastalo durante o período em que foi responsável pela custódia de Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba. Conhecido nas redes sociais como “Rodrigo Hilbert da Federal”, o policial acompanhou a rotina do petista, os horários de banho de sol, as visitas e as conversas sobre política, Justiça e assuntos pessoais.

Lula foi preso em 7 de abril de 2018, após condenação no processo do tríplex do Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato. Deixou a prisão em 8 de novembro de 2019, depois que o STF mudou o entendimento sobre a execução da pena antes do trânsito em julgado.

O lançamento da obra despertou grande procura. Segundo informações publicadas pela imprensa, os 5 mil exemplares inicialmente distribuídos pela editora foram encaminhados às livrarias no dia do lançamento, levando a editora a encomendar uma nova tiragem de 15 mil unidades.

Os episódios envolvendo os ministros são apresentados como relatos do autor, baseados nas conversas que afirma ter presenciado durante a custódia. Não se trata de declarações públicas de Lula. Até a publicação das primeiras reportagens sobre o conteúdo, a assessoria do presidente e o STF não haviam apresentado manifestação sobre os relatos.

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