Novas regras para big techs no Brasil: plataformas poderão ser punidas por golpes e conteúdos criminosos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (20) dois decretos que criam novas regras para a atuação das plataformas digitais, as chamadas “big techs”, no Brasil. As medidas regulamentam decisões do Supremo Tribunal Federal e ampliam a responsabilidade das empresas sobre conteúdos criminosos publicados na internet.
As mudanças acontecem após o STF considerar parcialmente inconstitucional um trecho do Marco Civil da Internet que limitava a responsabilização das plataformas apenas aos casos em que houvesse descumprimento de ordem judicial para remoção de conteúdo.
Com a decisão, as plataformas poderão ser responsabilizadas civilmente em duas situações:
➡️ Quando houver “falha sistêmica” no combate a crimes graves nas redes;
➡️ Quando receberem denúncias de conteúdos ilegais e não realizarem a remoção.
Entre os crimes considerados graves pelo STF estão terrorismo, incentivo à mutilação ou suicídio, tentativa de golpe de Estado, ataques à democracia, racismo, homofobia e crimes contra mulheres e crianças.
O que muda para as plataformas
Os decretos determinam que as empresas digitais deverão:
- remover conteúdos ilícitos após notificação, mesmo sem decisão judicial;
- criar canais de denúncia e permitir que usuários recorram das decisões;
- informar os usuários sobre remoções e medidas adotadas;
- combater anúncios de golpes, fraudes e produtos ilegais;
- armazenar dados das publicações para investigações e ações judiciais futuras.
Segundo o governo federal, as medidas buscam colocar em prática a decisão do STF, que já estava em vigor desde novembro de 2025.
ANPD será responsável pela fiscalização
A fiscalização ficará sob responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que irá monitorar se as plataformas estão adotando mecanismos para prevenir crimes e proteger usuários.
A agência deverá acompanhar relatórios periódicos enviados pelas empresas e poderá considerar “falha sistêmica” quando as plataformas não adotarem medidas suficientes para impedir crimes em larga escala.
O Marco Civil da Internet prevê punições como advertências e multas para empresas que descumprirem as regras.
Regras específicas para proteger mulheres
O segundo decreto assinado por Lula cria medidas voltadas ao combate da violência digital contra mulheres e meninas.
Entre as principais determinações estão:
- criação de canal específico para denúncias de nudez vazada ou montagens falsas produzidas por Inteligência Artificial;
- remoção do conteúdo em até duas horas após a denúncia;
- redução do alcance de ataques coordenados contra mulheres;
- proibição de ferramentas de IA voltadas à criação de “nudes” falsos;
- divulgação do telefone 180 dentro dos canais de denúncia.
Os decretos entram em vigor após publicação no Diário Oficial da União e as plataformas terão prazo para adaptação às novas regras.
G1
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