Novo Tarifaço dos EUA contra o Brasil atinge sal do RN e isenta pescado e derivados de petróleo

O sal, um dos principais produtos da pauta exportadora do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos, será atingido pela aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Já o pescado, outro item de destaque na balança comercial, ficou de fora da lista de produtos taxados. A medida foi confirmada nesta quarta-feira (15) pelo governo americano após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

No setor produtivo potiguar, a decisão é recebida com preocupação e incerteza diante dos possíveis impactos sobre as exportações. Roberto Serquiz, presidente da Fiern, lembra que o primeiro anúncio de tarifaço, em 2025, gerou “incertezas e preocupação em setores estratégicos da economia potiguar, especialmente a pesca e o sal”.

Levantamento da CNI aponta que 20 estados exportaram menos para os EUA em 2026. O RN foi o mais impactado, reduzindo em 72% as suas exportações entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. “A sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas dos dois países”, diz a CNI.

Na segunda rodada das tarifas impostas pelos EUA, Roberto Serquiz destaca com alívio que as espécies de pescado exportadas pelo RN não serão atingidas. Por outro lado, diz que é preciso defender a importância do sal, produto estratégico para a economia.

Airton Torres, presidente do Sindicato das Indústrias de Extração do Sal do RN, diz que as exportações da indústria salineira estão sob impasse desde o último anúncio de tarifaço. “Em que pese ter havido a derrubada desse tarifaço, a incerteza continuou”.

Segundo ele, hoje são feitas exportações “pontuais” para os EUA, “sem nenhum espaço para celebração de contratos de fornecimento de médio e de longo prazo”.

A Fecomércio-RN afirma que o aumento das tarifas “gera preocupação diante da histórica e sólida relação comercial entre os dois países”. “Seguimos acompanhando com preocupação a situação, na expectativa de que a situação possa ser revertida”.

O secretário de Desenvolvimento do RN (Sedec), Lahyre Rosado, avalia que as exportações do estado não devem ser tão atingidas devido à configuração dos itens isentos e taxados. Segundo ele, apesar de caírem, as exportações de sal continuaram.

“Nossas exportações para os EUA estavam muito concentradas no setor do petróleo, pescados, sal e balas de pirulitos […] Nesse novo tarifaço, nossos pescados não entraram na lista, assim como os derivados do petróleo”, observa.

Mais de 2.100 itens exportados pelo Brasil foram poupados da sobretaxa, incluindo carne bovina, mel e café. A USTR justifica a isenção desses itens afirmando que esses insumos são matérias-primas que poderiam provocar indisponibilidade de oferta doméstica e “perturbações” na economia americana caso fossem submetidas à nova tarifa.

Entre os principais itens submetidos à taxação estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, calçados, ferramentas de jardinagem, equipamentos relacionados à mineração, papel, aço, açúcar orgânico e produtos agrícolas.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 60,3% das exportações atingidas correspondem a bens intermediários utilizados pela indústria dos EUA. O Brasil é o principal fornecedor ao mercado norte-americano em 10 dos 13 principais produtos atingidos pela medida, conforme a CNI: madeira (83,1%), minerais não metálicos (56,3%), químicos (51,8%), alimentos (38,1%), veículos automotores (30,3%), celulose e papel (24,0%), e máquinas e equipamentos (12,5%).

Como justificativa para as novas tarifas, os EUA acusam o Brasil de práticas comerciais desleais. Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos conduzem uma investigação que pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando a sobretaxa para até 37,5%.

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