O chapéu de Couro e a força do vitimismo viram estratégia na política moderna do RN
O chapéu de couro virou mais do que um acessório na pré-campanha de Allyson Bezerra. Para adversários como Cadu Xavier e Rogério Marinho, a peça representa uma estratégia política cuidadosamente construída para transmitir humildade e proximidade com o povo sertanejo. Na visão deles, o gesto busca criar uma imagem popular capaz de sensibilizar “os desavisados” e fortalecer Allyson nas redes sociais, transformando a estética do homem simples em ferramenta de campanha.
Enquanto os ataques se concentram no símbolo do chapéu, grande parte da população parece comprar justamente essa identidade popular do mossoroense. O debate político acaba migrando para a narrativa emocional, deixando em segundo plano questões mais profundas que ainda aguardam respostas. Entre elas, o impacto da operação da Polícia Federal conhecida como “A Matemática de Mossoró”, nome que faz referência a uma frase usada pelo próprio Allyson Bezerra e que acabou associada às investigações sobre supostas irregularidades envolvendo cifras milionárias e possíveis desvios de recursos públicos do município.
No fim das contas, o cenário revela uma disputa onde a imagem fala mais alto do que o conteúdo. Enquanto os adversários tentam desconstruir o personagem do “homem simples do sertão”, Allyson parece crescer politicamente ao ocupar o espaço do perseguido e do criticado pelas elites políticas. Com isso, propostas concretas para o Rio Grande do Norte e explicações que parte da sociedade espera sobre as investigações acabam ficando em segundo plano, soterradas pelo peso da narrativa, do vitimismo e da força das redes sociais na construção da opinião pública.
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