Confecções desafiam queda da produção industrial com crescimento de 44% no RN

A produção industrial do Rio Grande do Norte acumulou queda de 15,5% entre janeiro e maio de 2026, o pior desempenho entre os Estados brasileiros, pressionada principalmente pelo recuo das indústrias extrativas ligadas ao petróleo. Porém, o setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios seguiu trajetória oposta.
Segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Pessoa Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a atividade foi a única da indústria potiguar a registrar crescimento no período, com alta de 44%. Na comparação entre maio deste ano e o mesmo mês de 2025, a expansão chegou a 53,8%, enquanto, no acumulado de 12 meses, atingiu 54,5%, refletindo o aumento da demanda do mercado e a ampliação da capacidade produtiva das empresas.
A cadeia de confecções é atualmente o maior empregador da indústria de transformação do estado. Dados da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) mostram que o segmento reúne 20.915 trabalhadores formais, o equivalente a 32,9% do emprego industrial de transformação, além de gerar Produto Interno Bruto (PIB) superior a R$ 1 bilhão por ano e massa salarial de R$ 706 milhões.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Rio Grande do Norte (Sindvest-RN), Marinho Herculano, o Estado concentra entre 1,5 mil e 2 mil empresas e oficinas, distribuídas principalmente nos polos do Seridó, Grande Natal e Agreste. “Os principais polos produtivos estão concentrados em Caicó, Jardim de Piranhas, São José do Seridó, Serra Negra do Norte, Natal, Parnamirim, Macaíba, Currais Novos, Acari e Santa Cruz. Grande parte dessas unidades produtivas é composta por micro e pequenas empresas, além de oficinas de costura e cooperativas que atendem marcas locais e nacionais”, afirma.
Na avaliação de Marinho Herculano, o desempenho decorre da retomada da demanda nacional, dos investimentos em modernização das fábricas, da qualificação da mão de obra e da capacidade das empresas de responder rapidamente às mudanças no mercado consumidor. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado Neto, acrescenta que o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Estado (Proedi) contribui para esse movimento.
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