Seca responde por mais de 80% dos desastres naturais registrados no RN, aponta levantamento

A seca e a estiagem responderam por mais de 80% dos desastres naturais registrados no Rio Grande do Norte entre 1991 e 2025, segundo levantamento do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), uma ferramenta criada pela da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec). O volume acumulado de prejuízos econômicos e danos materiais causados ao Rio Grande do Norte atingiu R$ 10,9 bilhões na série histórica.

Os dados indicam que o montante é composto por R$ 7,15 bilhões em prejuízos privados, R$ 2,57 bilhões em prejuízos públicos e R$ 1,18 bilhão em danos materiais diretos, afetando principalmente os setores de infraestrutura urbana e de abastecimento de água.

As perdas em infraestrutura somaram R$ 737,91 milhões, o que equivale a 62,47% do total de danos diretos. Os anos com maiores registros foram 2014 (R$ 284 milhões), 2008 (R$ 244 milhões) e 2023 (R$ 146 milhões). Sazonalmente, as perdas materiais concentraram-se nos meses de abril (R$ 0,26 bilhão) e janeiro (R$ 0,18 bilhão)

Dentre os R$ 2,57 bilhões registrados em prejuízos públicos, o abastecimento de água representou a maior faixa de perdas no estado, somando R$ 2,29 bilhões (90,98% do total público), seguido pelo sistema de esgotamento sanitário com R$ 0,11 bilhão (4,38%) e drenagem urbana com R$ 0,17 bilhão (6,64%).

No período, os problemas causados seca foram responsáveis por 2,63 mil ocorrências das 2,69 mil protocolos relacionados a eventos climatológicos. Considerada um desastre natural de evolução lenta, a escassez prolongada de chuvas pode causar grave déficit hídrico, quebra de safras e impactos socioeconômicos profundos.

Apesar da predominância da seca, os maiores impactos imediatos à população estão associados aos períodos de chuvas intensas, inundações e enxurradas.
Segundo o levantamento, o maior pico de desalojados e desabrigados ocorreu em 2008, quando cerca de 33 mil pessoas precisaram deixar suas casas por conta de problemas causados pelas chuvas ocorridas no primeiro semestre daquele ano. O sistema também contabiliza 105,88 mil desalojados e desabrigados e 42,85 mil pessoas feridas ou enfermas.

Além dos registros de estiagens e secas, que representam 81,53% de todas as ocorrências, o ranking de desastres naturais é formado pelas inundações (6,32%), vendavais e ciclones (3,07%), chuvas intensas (1,77%) e enxurradas (1,2%).

O levantamento aponta que as questões climáticas causaram a morte de 23 potiguares no período analisado. Os anos de 2004 e 2021 registraram cinco óbitos cada, os maiores totais da série histórica.

O cenário estadual acompanha uma tendência observada no Nordeste. Estudo publicado por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na revista Environmental Research Letters, analisou cerca de 60 mil registros de desastres relacionados ao excesso ou à falta de chuva no Brasil entre 1991 e 2024.

A pesquisa concluiu que 91,5% dos municípios brasileiros registraram pelo menos um desastre relacionado à água no período. O Nordeste foi a região com maior número de cidades afetadas, totalizando 1.765 municípios.

Segundo os pesquisadores, os desastres devem ser compreendidos como fenômenos socioambientais, uma vez que seus impactos são agravados por fatores como mudanças climáticas, ocupação inadequada do território e fragilidades na gestão pública.

Os pesquisadores explicam que os registros oficiais são autodeclarados pelos municípios e servem, entre outros objetivos, para buscar recursos do governo federal quando as administrações locais e estaduais não têm capacidade de lidar com e responder aos eventos adversos que afetam aquela localidade.

Ou seja, muitos casos podem ter resultado em perdas ou fatalidades não registradas porque as próprias administrações locais não conseguiram gerenciar a situação ou fazer as notificações necessárias desses impactos.

Escreva sua opinião

O seu endereço de e-mail não será publicado.