Pesquisadores identificam contaminação por petróleo em habitats de peixes ameaçados de extinção no RN

Pesquisadores identificaram a presença de contaminação por petróleo em habitats onde vivem duas novas espécies de peixes das nuvens na bacia do rio Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte. As espécies recém-descritas já foram classificadas como ameaçadas de extinção.

Os peixes pertencem ao gênero Hypsolebias, típico da Caatinga, e foram avaliados como Em Perigo (EN) e Criticamente Ameaçados (CR), segundo o estudo.

As espécies ocorrem em áreas impactadas por empreendimentos eólicos e petrolíferos. Em uma das localidades, a única conhecida para uma das espécies, o habitat fica a menos de 10 metros de um poço de petróleo em atividade.

Análises químicas da água apontaram contaminação por hidrocarbonetos de petróleo, com concentrações entre 281 μg/L e 447,88 μg/L. De acordo com os pesquisadores, essas substâncias podem afetar funções vitais dos organismos aquáticos e comprometer o equilíbrio do ecossistema.

O estudo também identificou alterações morfológicas incomuns nos peixes, com indivíduos apresentando características simultâneas de machos e fêmeas, um padrão considerado atípico para o grupo.

Os pesquisadores afirmam que os dados sugerem possível relação entre a contaminação e alterações fisiológicas nas espécies, mas destacam que novos estudos são necessários para confirmar os efeitos.

A pesquisa foi realizada com coletas em campo na bacia do rio Piranhas-Açu e análises laboratoriais na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Norte e da University of West Florida.

Os cientistas integraram análises morfológicas, genéticas, químicas e geográficas. Entre os procedimentos, foram feitos testes para identificar hidrocarbonetos na água e sequenciamento de DNA para estudar o parentesco entre as espécies.

Impactos e alerta ambiental

O estudo aponta que hidrocarbonetos de petróleo não estão incluídos na Resolução CONAMA 357/05, que estabelece parâmetros para a qualidade da água doce no Brasil.

Os pesquisadores também alertam para fragilidades no licenciamento ambiental no Rio Grande do Norte e para a pressão de empreendimentos petrolíferos e eólicos na região da Bacia Potiguar desde a década de 1970.

Relevância do estudo

Segundo os pesquisadoress, os peixes das nuvens têm papel importante nos ecossistemas de água doce da Caatinga, inclusive no controle de larvas de mosquitos, o que reforça a importância da conservação dessas áreas.

O estudo também contribui para o debate sobre mudanças na legislação ambiental no país, incluindo o Projeto de Lei 2.159/2021. Os resultados foram publicados na revista científica Neotropical Ichthyology.

Dados da pesquisa

Os resultados da pesquisa são apresentados em um artigo científico publicado no periódico internacional Neotropical Ichthyology

Assinam o artigo o Biólogo Pesquisador Yuri Abrantes (UFRN), Prof. Waldir Miron Berbel-Filho (University of West Florida/USA), Prof. Roberto Carvalho (IFRN-Macau), Prof. Telton Ramos e Prof. Sergio Lima (UFRN). 

O estudo foi realizado com recursos financeiros fomentado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

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