Polícia Civil investiga venda de vídeos com tortura de animais no interior do RN

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte vai instaurar inquérito para apurar denúncias de maus-tratos e tortura contra animais no município de Marcelino Vieira, no Alto Oeste potiguar. A investigação foi motivada por boletins de ocorrência registrados após a repercussão de vídeos que seriam comercializados por uma moradora da cidade em plataformas digitais.
A suspeita é uma mulher de 44 anos que mantém perfis em redes sociais como YouTube, Instagram, Facebook e TikTok. De acordo com denúncias, ela utilizava áreas restritas a assinantes e o sistema de membros do YouTube para vender gravações com conteúdo explícito de violência. As imagens envolveriam aves, cães, gatos e animais silvestres.
Segundo a Polícia Civil, foram registrados boletins de ocorrência relacionados ao caso de maus-tratos. “Diante das informações apresentadas, será instaurado um Inquérito Policial para apurar os fatos, identificar eventuais responsáveis e esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência”, informou o órgão, em Nota.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) informou que acompanha as apurações conduzidas pela Polícia Civil para verificar o cometimento de ilícitos. A conduta relatada nas denúncias pode ser enquadrada no Artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), que prevê detenção de três meses a um ano e multa. No caso de maus-tratos contra cães e gatos, a pena é de reclusão de dois a cinco anos, conforme a Lei nº 14.064/2020.
Casos de produção e venda de conteúdos de tortura animal, conhecidos como zoosadismo, têm sido registrados em outros estados. Na última semana, uma empresária foi detida em São Paulo por prática semelhante após denúncia de uma organização não governamental internacional. A Polícia Civil do Rio Grande do Norte afirmou que novas informações sobre o caso de Marcelino Vieira serão divulgadas conforme o avanço das diligências e o cumprimento do devido processo legal.
Suspeita diz que família foi ameaçada
A mulher suspeita das práticas de tortura publicou vídeo, nesta terça-feira (02), para se defender de acusações de que estaria comercializando vídeos “esmagando animais”. Na gravação, a mulher nega veementemente as denúncias de maus-tratos e afirma que ela e seus familiares estão sendo alvo de ataques e ameaças de morte.
“Eu quero pedir, gente, humildemente: parem de me atacar, parem de atacar a minha família. Tem gente ameaçando a minha família. Pelo amor de Deus, gente, isso não é verdade, não é verdade. Quem me acompanha vê e sabe que eu não faria jamais mal a um bichinho. Eu apenas faço os meus abates da forma mais natural possível, mais rápida possível. Jamais eu ia maltratar um bichinho”, disse ela.
Segundo o relato da mulher, as informações que circulam sobre sua conduta não são verdadeiras. Ela sustenta que realiza abates de animais, mas que o processo ocorre de maneira “natural e rápida”, sem prolongar o sofrimento do animal. A defesa ressalta que quem acompanha sua rotina conhece seu cuidado com os bichos.
Youtube encerra canal
O YouTube encerrou o canal mantido pela mulher suspeita de comercilzar vídeos torturando animais. Em nota oficial, a plataforma informou que a decisão foi tomada devido a violações das políticas de conteúdo violento ou gráfico.
A remoção ocorre após denúncias de ativistas da causa animal que repercutiram nas redes sociais durante o último final de semana. Há cenas de tortura e morte de diversas espécies, como gatos, galinhas, patos e preás. Antes do encerramento, o canal acumulava mais de 1 milhão de visualizações e aproximadamente 10 mil inscritos.
Segundo o levantamento de protetores de animais, a investigada utilizava o sistema de membros do YouTube para restringir o acesso às gravações de maior violência a assinantes pagantes. Nas publicações de livre acesso, os conteúdos mostravam apenas a rotina rural e a criação de animais na propriedade da família.
Juridicamente, a prática relatada nas denúncias pode ser enquadrada como crime de maus-tratos, conforme o Artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98). A legislação prevê sanções penais para quem impõe sofrimento ou morte cruel a animais. O caso permanece sob monitoramento das autoridades e de entidades de defesa dos direitos animais.
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